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terça-feira, 3 de maio de 2016

Filme do Dia: A Morte Cansada (1921), Fritz Lang


A Morte Cansada Poster


A Morte Cansada (Der Mude Tod, Alemanha, 1921). Direção: Fritz Lang. Rot. Original: Fritz Lang & Thea Von Harbou. Fotografia: Bruno Mondi, Erich Nitzschmann, Herrmann Saalfrank, Bruno Timm & Fritz Arno Wagner. Música: Guiseppe Becce, Karl-Ernest Sasse & Peter Schirmann. Montagem: Fritz Lang. Dir. de arte: Robert Herlth, Walter Röhrig & Hermann Warm. Figurinos: Heinrich Umlauff. Com: Lil Dagover, Walter Janssen, Bernard Goetzke, Rudolf Klein-Rogge, Hans Sternberg, Erich Pabst, Eduard  von Winterstein, Paul Biensfeldt.
Um casal de noivos (Dagover e Janssen) chegam a um pequeno vilarejo em uma carruagem em que também se faz presente a Morte (Goetzke). Enquanto a moça se distrai a Morte leva seu noivo. Para tê-lo de volta ela precisa impedir a morte de pelo menos um dos jovens de três casais de enamorados, representados por três velas, fazendo com que não se apaguem. Porém, as três narrativas findam tragicamente. A moça, desesperada,  tenta negociar com a morte. Essa lhe dá uma última chance. Caso ela lhe traga alguma vida até a meia-noite, ele lhe devolverá seu amado. Como falta somente uma hora, a moça sai à cata de alguém que possa doar sua vida porém, do miserável aos velhinhos em um asilo, evidentemente ninguém pretende doar sua vida. Sua chance surge quando ocorre um incêndio na cidade. Com uma criança no braço, ela ainda hesita, mas desiste de entregá-la a morte, desistindo ela própria de viver. A Morte então a faz reencontrar com seu amado.
Esse filme, primeira super-produção da carreira de Lang, antecipa o estilo grandiloqüente que será sua marca registrada em produções posteriores tais como Os Nibelungos (1923/24) e Metropolis (1927). Aqui não é pouco comum se observar os personagens minúsculos perto de gigantescos cenários. Porém, o mais interessante desse filme certamente é o seu prólogo, que traz semelhanças inequívocas com a produção nórdica contemporânea, igualmente conhecida por suas referências fúnebres (ainda que a mais célebre, A Carruagem Fantasma, lhe seja posterior em um ano) e por um não menos apurado estilo visual. Não faltam momentos estilisticamente soberbos, que destacam molduras dentro da própria imagem ou construções vertiginosamente horizontais de escadarias. Porém, o filme perde bastante quando cede a estratégia, aliás nenhum pouco incomum na época (seria reproduzida novamente em O Gabinete das Figuras de Cera, de Paul Leni), de se subdividir em histórias ambientadas em universos fantásticos de contos de fadas. Já a partir do primeiro episódio, ambientado em um reino persa maculado pela presença de um ocidental por quem a irmã do Califa se apaixonou, fica-se ciente de que o filme menos se aproxima da magistral sutileza de um Sjöström, como aparentava em seu comovente início, que das aventuras rocambolescas mais próximas do universo da roteirista Harbou, então mulher de Lang, e dos seus filmes anteriores e posteriores em formato serial. Trata-se do filme mais expressionista de Lang e talvez poucos tenham feito um uso tão onipresente das sobreimpressões, recurso que o filme admiravelmente deixou de lado em seu prólogo “nórdico”. Destaque para uma representação complexa e, mesmo simpática, da morte. Provavelmente sua estrutura deva algo ao Griffith de Intolerância (1916), ao se situar em quatro períodos históricos diversos, um deles contemporâneo, como aquele, mesmo sem fazer uso da montagem alternada que tornou célebre essa produção. Decla-Bioscop AG. 105 minutos.

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