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sábado, 28 de maio de 2016

Filme do Dia: Allonsanfàn (1974), Paolo & Vittorio Taviani


Allonsanfàn Poster


Allonsanfàn (Itália, 1974). Direção e Rot. Original: Paolo & Vittorio Taviani. Fotografia: Giuseppe Ruzzolini. Música: Ennio Morricone. Montagem: Roberto Perpignani. Dir. de arte: Gianni Sbarra. Cenografia: Adriana Bellone. Figurinos: Lisa Nerli Taviani. Com: Marcello Mastroianni, Lea Massari, Mimsy Farmer, Laura Betti, Claudio Cassinelli, Benjamin Lev, Renato De Carmine, Stanko Molnar.
Fulvio (Mastroianni) é um líder anarquista italiano cansado dos sofrimentos que o engajamento político junto aos revolucionários franceses lhe provocou ao longo dos anos. Refugiado na aristocrática mansão de sua família ele é incitado pela ex-amante, Charlotte (Massari), a voltar a fazer parte do movimento. Uma das ações será efetuada em um encontro com os ex-companheiros. Porém sua irmã, Esther (Betti), os delata para a milícia local, provocando um massacre, e Charlotte é ferida mortalmente. Lionello (Cassinelli), um dos mais devotados e violentos, vai ao encontro de Fulvio com sua namorada Francesca (Farmer). Fulvio mente para Lionello e o faz crer que praticarão um pacto suicida. Lionello toma consciência do truque na última hora, mas acidentalmente afunda com as pedras que havia posto sobre o corpo. Francesca, à margem do lago, testemunhou toda a ação. Fulvio utiliza toda sua persuasão para convencer Francesca de que ela não poderá continuar sua vida sem ele. Ele planeja com o auxílio de Francesca mais um plano para enganar o grupo. Afirma que tivera os mantimentos assaltados e pede que ela atire contra sua perna. Engajado em uma ação com seus companheiros, Fulvio os atraiçoa, afirmando que haverá um ataque à aldeia. Em troca ele pede que lhe preservem a vida, pois estará sem o uniforme vermelho. Porém, uma das vítimas que escapa com vida do massacre afirma que não houve nenhum massacre, mas sim uma confraternização entre revolucionários e camponeses. Hesitante, Fulvio volta vestir o uniforme e é imediatamente abatido.
Com uma narrativa que mais parece uma adaptação literária, tal o número de personagens e a diversidade de situações, assim como uma complexa utilização do tempo, nem sempre explicitada ou perceptível à primeira vista – o fato, por exemplo, de Fulvio ter permanecido alguns meses como padre e amigo dele próprio em sua casa pode passar batido – esse filme dos Taviani, no auge do cinema político italiano, parece ser uma reflexão sobre um certo desencanto da possibilidade de aliança entre classes que talvez tenha sido influenciado pelos eventos recentes vividos na sociedade européia e o desenrolar dos mesmos. Tudo é acompanhado com grande distanciamento emocional. Distante de qualquer proselitismo, não se tenta aproximar ou criar simpatia por nenhum dos personagens. Há uma submissão a certo tom descritivo. Uma das possibilidades de mensagem ideológica que o filme pretende trabalhar é o erro do movimento na sua aliança com um membro da elite. Esse, por sua vez, poderia representar certa juventude idealista que, após determinado tempo, não quer outra coisa que o conforto e a dedicação a uma vida doméstica e individualista. Outra possibilidade, no entanto, e talvez mais simpática ou, pelo menos, menor condenatória ao protagonista, seria a da própria falta de estratégia do movimento revolucionário, que por várias vezes é traído ou manipulado por Fulvio, no que talvez seja uma precoce mea culpa dos Taviani com relação aos eventos políticos recentes, que ainda sequer haviam se configurado de modo mais radical na Itália – o sequestro de Moro é apenas 3 anos após. O filme talvez se ressinta de uma maior concisão, por vezes enveredando em subtramas que não dizem muito a que vieram – como o encontro de Fulvio com seu filho até então ignorado. Assim como da mescla entre realismo e um ocasional tom alucinatório que nada auxilia na compreensão de certos eventos que por si só já demandam bastante atenção. Porém, sua maior qualidade talvez seja a referida cautela com que a aproximação de uma ideologia libertária de esquerda aqui se faz, despida do emocionalismo simplista e maniqueísta com que usualmente é trabalhada seja na sua condenação ou exaltação. O título é derivado das duas primeiras palavras que compõem A Marselhesa. Ministero del Turismo e dello Spettacolo/Uma Cooperativa Cinematografica. 115 minutos.


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