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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Filme do Dia: Irma La Douce (1963), Billy Wilder


Irma la Douce Poster


Irma La Douce (EUA, 1963). Direção: Billy Wilder. Rot. Original: Billy Wilder & I.A.L Diamond. Fotografia: Joseph LaShelle. Música: André Previn & Marguerite Monnot. Montagem: Daniel Mandell. Dir. de arte: Alexandre Trauner. Cenografia: Maurice Barnathan & Edward G. Boyle. Figurinos: Orry-Kelly. Com: Jack Lemmon, Shirley MacLaine, Lou Jacobi, Bruce Yarnell, Herschel Bernardi, Hope Holyday, Joan Shawlee, Grace Lee Withney.
            Nestor (Lemmon) é o guarda novato que se escandaliza com a aberta prostituição que encontra em La Halles, bairro popular de Paris. Ele prende um grupo de prostitutas, porém para seu azar o seu superior, Inspetor Lefevre (Bernardi), se encontrava entre os clientes. Despedido, Nestor se apaixona por uma das prostitutas, Irma (MacLaine), que passa a respeita-lo, assim como toda a comunidade local, após ele derrotar o cafetão de Irma, Hippolyte (Yarnell). Para tentar retirar Irma do mundo da prostituição, Nestor finge se passar por um respeitável e impotente aristocrata inglês, Lord X, trabalhando arduamente no mercado para conseguir o dinheiro que paga de uma vez só a Irma, para que ela não tenha mais contato com nenhum outro homem. Seu parceiro na tramóia é Moustache (Jacobi), o dono do bistrô freqüentado por rufiões e prostitutas. O cansaço despendido para conseguir levar adiante a farsa faz com que Irma desconfie de que está sendo traída por Nestor. Para piorar sua situação, um rufião acredita ter testemunhado a morte de Lorde X pelas mãos de Nestor, que é preso. Após fugir da prisão, Nestor se casa com uma Irma a ponto de ter o filho, depois de ter encenado o retorno de Lorde X das águas do Sena.
            Essa fase da carreira de Wilder, repleta de comédias saudadas por alguns como transgressoras e anárquicas, à exceção da mais elaborada Se Meu Apartamento Falasse (1960), igualmente com a dupla Lemmon&MacLaine, apresenta o franco declínio da carreira do cineasta e uma tendência a repetição de fórmulas desgastadas. Toda a narrativa do filme, filmado com cores berrantes como os cartazes coloridos de Toulouse-Lautrec, reapresenta motivos do cinema clássico, sobretudo a comédia muda, seja na figura do policial chapliniano interpretado por Lemmon no início ou uma menção aos Keystone Cops, quando apela ao velho uniforme no momento em que os policiais revistam o apartamento de Irma a procura dele. Da mesma forma, o drama da moça indefesa que precisa de uma figura masculina e protetora para se reerguer se encontra tanto nas comédias de Chaplin quanto nos melodramas de Griffith. O resultado final, no entanto, é comprometido pela adesão completa ao burlesco, quando justamente a inserção de elementos realistas é que tornava acima da média o filme anterior. Não menos desinteressante é a repetição dos tipos vividos por Lemmon (um apatetado, solitário e protetor homem de bom coração) e MacLaine (uma garota doce e aparentemente descolada, que encobre uma legítima vítima da perversidade masculina). A personagem de MacLaine parece ser feita sob medida para Marilyn Monroe, porém as dificuldades que teve nas duas outras produções com a atriz fizeram com que Wilder mudasse de idéia. Diversas referências às produções do momento são feitas na boca de Lord X, recurso que Wilder já utilizara em O Pecado Mora ao Lado, assim como a mais extravagante das prostitutas é uma caricatura da Lolita de Kubrick tendo, inclusive, o mesmo nome. Refilmado para a TV em 1972 e adaptado pelo cinema indiano em 1974. Mirish Co./Phalanx Productions para a MGM. 143 minutos.

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