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segunda-feira, 23 de maio de 2016

Filme do Dia: O Fugitivo de Santa Marta (1950), Joseph Losey


O Fugitivo de Santa Marta Poster


O Fugitivo de Santa Marta (The Lawless, EUA, 1950). Direção: Joseph Losey. Rot. Adaptado: Daniel Mainwaring, baseado no próprio romance The Voice of Stephen Wilder. Fotografia: J. Roy Hunt. Música: Mahlon Merrick. Montagem: Howard  A. Smith. Dir. de arte: Lewis H. Creber. Cenografia: Alfred Kegerris. Com: Macdonald Carrey, Gail Russell, Johnny Sands, Lee Patrick, John Hoyt, Lalo Rios, Maurice Jara, Walter Reed.
      Usualmente explorados no trabalho de colheita de frutas, já que são  imigrantes mexicanos, Lopo Chavez (Jara), assim como o amigo Paul Rodriguez (Rios), decidem não trabalhar no sábado e irem ao  baile. No caminho esbarram com um carro de dois jovens americanos de classe média. Um deles é Joe Ferguson (Sands), filho de um importante juiz, que possui uma visão da necessidade de integração entre culturas e classes distintas. Uma briga se inicia, após um dos americanos ter ofendido verbalmente os rapazes e logo é interrompida pela polícia. O jornalista independente e respeitado Larry Wilder (Carey), que montou seu próprio jornal em uma localidade próxima vai  até Santa Marta cobrir o baile. Lá encontra uma jornalista local, bastante interessada na comunidade, Sunny Garcia (Russell). Porém a quietude do baile é rompida com a chegada de Joe Fergueson e sua turma. Joe é esmurrado por Lopo quando assediava uma garota. Uma briga se generaliza e, no meio da confusão, Lopo agride um policial e foge. Os  rapazes são levados a delegacia, onde o pai de Joe, Ed Fergueson (Hoyt), paga a fiança de todos. Enquanto isso Lopo é seguido e capturado, porém novamente foge após acidente com a viatura que era transportado, vitimando um policial. Incensado pela imprensa como de alta periculosidade, Lopo é perseguido e quase linchado. Wilder, que lhe dera cobertura, tem a sede de seu jornal arrasada. Desistindo de morar no local, mesmo com o apoio que Ed Fergueson estava disposto a lhe dar, Wilder muda de idéia após conhecer a acanhada sede do jornal local de Santa Marta, que Sunny trabalha.
        O filme é um dos primeiros a demonstrar que as preocupações sociais se sobrepõem às convenções dos gêneros tradicionais hollywoodianos, em uma série de filmes da década. Seu tom liberal, próximo do de Richard Brooks e Samuel Fuller, chega a ser quase didático e excessivo, hoje soando ridículo personagens como Ed Fergueson, como o liberal de classe média esclarecido. Esse personagem, assim como – e principalmente – o do protagonista jornalista parecem espelhar, sem muita sutileza, um certo bom mocismo de esquerda, que encontra paralelo em certos cineastas do Cinema Novo brasileiro da primeira metade da década de 1960, com sua visão excessivamente idealizada e romântica da sociedade. Uma das características que se tornariam marcantes na obra de Losey, como o seu interesse por figuras marginais, já se encontra aqui presente.  A perseguição que o protagonista sofre pode também ser entendido como uma analogia aos anos de Macartismo nos EUA, do qual o próprio cineasta se tornaria vítima. Paramount Pictures. 83 minutos.


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