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sexta-feira, 24 de julho de 2015

The Film Handbook#33: Dorothy Arzner



Dorothy Arzner
Nascimento: 03/01/1900, San Francisco, Califórnia, EUA
Morte: 01/10/1979, Los Angeles, Califórnia, EUA
Carreira (como realizador): 1927-43

A única diretora de grande destaque a trabalhar durante a "Era de Ouro" de Hollywood, Dorothy Arzner merece uma reavaliação. Ignorada por muito tempo pelos historiadores de cinema, ela agora corre o risco de uma reavaliação super-estimada por críticos modernos que se apropriaram dela como uma pioneira feminista.

O pai de Arzner foi um restaurador em Hollywood; quando garota, ela encontrou muitos dos pioneiros do cinema, posteriormente conseguindo trabalho no departamento de roteiros da Parmaount. Em pouco tempo voltou-se para a montagem e roteirização, e seu trabalho para Sangue e Areia/Blood and Sand de Valentino e o western épico Os Bandeirantes/The Covered Wagon, de James Cruze foi tal que seu desejo de dirigir foi acolhido. Seus primeiros filmes, iniciando em 1927 com A Mulher e a Moda/Fashions for Women foram comédias convencionais mas charmosas e pela época que ela realizou o seu primeiro talkie para a Paramount, Garotas na Farra/The Wild Party, estrelando a garota "It" Clara Bow, ela era considerada como uma das diretoras hollywoodianas de ponta. À medida que seus temas cresciam em sofisticação,  seu interesse em mulheres com propósitos definidos e homens débeis e imaturos tornava-se mais evidente. Quando a Mulher Se Opõe/Merilly We Go to Hell>1, uma sátira melodramática sobre os estratos superiores da sociedade do pós-guerra, uma herdeira é cortejada por um dramaturgo fracassado dado à ataques de auto-comiseração alcóolicos; em Assim Amam as Mulheres/Christopher Strong>2, a destemida aviadora Katharine Hepburn (em seu primeiro papel principal) possui um caso com um egocêntrico e casado Colin Clive, mas insiste em prosseguir com sua carreira mais do que se escravizar como a "Outra". Arzner possui poucas ilusões sobre a dupla moral: em um notavelmente comovente clímax, o suicídio de Hepburn durante um voo de reconhecimento torna-se um castigo à sociedade contemporânea.

Trazida por Sam Goldwyn como diretora substituta, ela pouco pôde fazer por Nana, uma versão higienizada de Zola, completa com um truncado final feliz e um erro na escolha de elenco de Anna Sten - a não ser injetar uns poucos comentários sobre a irresponsabilidade egoísta dos homens. O potencialmente melancólico Felicidade de Mentira/The Bride Wore Red, com a alpinista social Joan Crawford posando como mulher da sociedade que engana um milionário foi igualmente comprometido pela insistência da MGM em fotografia e cenários suntuosos. A Vida é uma Dança/Dance Girl, Dance>3, no entanto, foi uma soberba mistura de sátira ácida e drama de bastidores que contrastava tanto as atitudes quanto as experiências de duas dançarinas rivais, a petulante e pragmática corista de Lucille Ball e a pretendente a bailarina Maureen O'Hara, cujo discurso de acusação veemente a uma maliciosa platéia burlesca deu ao filme sua ferroada polêmica.

O último longa de Arzner foi Crepúsculo Sangrento/First Comes Courage, também a respeito de uma mulher independente, dessa vez uma guerrilheira da resistência norueguesa que prefere lutar contra o nazismo que fugir com o homem que ama. Após um ataque de pneumonia, Arzner se retirou da direção. Durante os anos 60, no entanto, ela ensinou na UCLA e em 1975 foi objeto de um tributo especial do Sindicato dos Diretores da América.

Ainda que seus filmes sejam estilisticamente convencionais, a sátira em suas bem trabalhadas comédias e melodramas foi frequentemente as expensas da tradição patriarcal e suas muitas heroínas fortes, determinadas e dignas permanecem atraentes e inspiradoras aos dias de hoje.

Cronologia
Arzner trouxe um toque pessoal aos filmes extravagantemente "sofisticados" de Lubitsch na Paramount. Como Alice Guy e Ida Lupino, ela tornou-se algo como um modelo para diretoras trabalharem no cinema comercial,  as quais infelizmente permanecem poucas ainda hoje, mesmo podendo mencionar Susan Seidelman, Claudia Weill, Donna Deitch, Amy Jones, Marisa e Joan Micklin Silver.

Leituras Futuras
Dorothy Arzner: Towards a Feminist Cinema (Londres, 1975), (org.) Pam Cook.

Destaques
1. Quando a Mulher se Opõe, EUA, 1932 c/Sylvia Sidney, Fredric March

2. Assim Amam as Mulheres, EUA, 1933 c/Katharine Hepburn, Colin Clive, Billie Burke

3. A Vida é uma Dança, EUA, 1940 c/Maureen O'Hara, Lucille Ball, Louis Hayward

Texto: Andrew, Geoff. The Film Handbook. Londres: Longman, 1989, pp. 16-8.

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