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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Filme do Dia: Barbarella (1968), Roger Vadim


Barbarella (Itália/França/EUA, 1968). Direção: Roger Vadim. Rot. Adaptado:  Vittorio Bonicelli, Claude Brulé, Brian Degas,  Jean-Claude Forest,  Tudor Gates,   Terry Southern,  Roger Vadim &  Clement Biddle Wood. Fotografia: Claude Renoir. Música: Bob Crewe, Charles Fox &  Michel Magne. Montagem: Victoria Mercanton. Dir. de arte: Mario Garbuglia. Figurinos: Jacques Fonteray & Paco Rabanne. Com: Jane Fonda, John Phillip Law, Anita Pallenberg, Milo O'Shea, David Hemmings, Ugo Tognazzi, Marcel Marceau, Claude Dauphin, Véronique Vendell.
             Barbarella (Fonda) é designada pelo presidente da Terra (Dauphin) para deter os planos de conquista do planeta pelo gênio do mal Duran Duran (O’Shea). Contando com o auxílio do anjo Pygar (Law), ela tem que se safar de todas as armadilhas que lhe são preparadas por Duran Duran e pela Grande Tirana (Pallenberg), que governa o planeta de SoGo. Conhece um líder rebelde Dildano (Hemmings), que pretende libertar o planeta da Tirana. Barbarella convence Duran Duran, também disposto a depor a Tirana, mas por outros motivos – conquistar a terra – a se aliarem para a invasão da sala onde dorme a tirana, da qual Barbarella possui a chave invisível. Porém Duran Duran trai Barbarella, que fica confinada na mesma sala que a Tirana. Elas conseguem ser salvas, no entanto, por Pygar.
       Essa aventura futurista apenas evidencia o contínuo declínio da carreira de Vadim, sendo o resultado final de suas tendências proto-pornográficas aqui francamente constrangedores e distantes de uma certa sensibilidade exibida pelo cineasta em seu filme de estréia E Deus Criou a Mulher (1956). Em comum com aquele, apenas o seu habitual recurso de despir as mulheres com quem vivia relacionamentos na época da produção dos filmes – lá Bardot, aqui Fonda nos créditos iniciais. Ao unir o universo futurista com a pausterização de modismos da época relativos ao amor livre e psicodelia, o cineasta realizou uma obra-prima do mau gosto tanto em termos de produção visual (os cenários são tão grotescos quanto os figurinos e os efeitos especiais) como de direção de atores canhestramente amadora e inconvincente (sem exceção, com uma Jane Fonda completamente patética gritando por seu Pygar). Completa o quadro diálogos hilários, que apenas comprovam a inexistência de um roteiro (apesar do notável número de roteiristas ou talvez por isso mesmo) e uma narrativa que não se define entre a ficção-científica e a sátira do gênero (não se sabe qual a pior das investidas, no sentido de que não há elementos minimamente convincentes para nenhuma dos dois modelos). Tanto nonsense parece não ter ouro motivo que o de exibir os dotes de Fonda. Seu estilo abertamente trash e kitsch influenciou filmes recentes como O Quinto Elemento (1998), de Besson e Austin Powers II (1999), que entre muitas outras referências, tem um protagonista excessivamente coberto de pelos no tórax. Outra adaptação do universo dos quadrinhos, com uma protagonista feminina realizada para o cinema na época , Modesty Blaisie (1966) de Joseph Losey, foi mais bem sucedida. Virna Lisa havia sido a escolha inicial para a protagonista, mas acabou decidindo abandonar a produção. A cidade de SoGo, tem seu nome extraído das iniciais de Sodoma e Gomorra. Dino de Laurentiis Cinematografica/Marianne Productions/ Paramount Pictures.  98 minutos.


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