CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Filme do Dia: Quanto Vale ou é por Quilo? (2005), Sérgio Bianchi

Quanto Vale ou é por Quilo? (Brasil, 2005). Direção: Sérgio Bianchi. Rot. Adaptado: Sabriana Anzuapegui, Eduardo Benain, Nilton Canito & Sérgio Bianchi, baseado no conto de Machado de Assis. Fotografia: Marcelo Corpanni. Montagem: Paulo Sacramento. Dir. de arte: Renata Tessari. Figurinos: Marisa Guimarães & Davi Parizotti. Com: Herson Capri, Ana Carbatti, Marcélia Cartaxo, Leona Cavalli, Caco Ciocler, Joana Fomm, Sílvio Guindane, Cláudia Mello, Danton Mello, Lázaro Ramos.
Arminda vai trabalhar numa ONG que se propõe a implantar um projeto de informática na periferia mas descobre uma fraude e acusa publicamente o diretor da mesma. Candinho (Guindane), jovem desempregado e com uma mulher (Cavalli) grávida, cansa-se das pressões e da dificuldade de conseguir dinheiro e aceita a proposta de executar dois marginais da região onde mora. Diretor da ONG (Capri) se torna vítima de um seqüestro por parte do filho (Ramos) de sua faxineira. Uma escrava grávida fugitiva é capturada por um capitão-do-mato (Guindane). Enquanto o capitão conta satisfeito o dinheiro da captura, a escrava perde o filho. Escrava amiga de mulher liberta, entra em acordo com essa para pagar com juros a dívida que lhe possibilita a alforria. As duas se sentem vitoriosas ao final, pois se uma conquistou a liberdade, a outra lucrou com esta.
Estruturado através de sketches com títulos irônicos o filme é uma tessitura de histórias contemporâneas e passadas (mais precisamente no século XVIII escravocrata) em que a marca que se destaca é a exploração e submissão de negros e/ou pobres aos interesses mais prementes do capital. Nesse sentido esse, mais que qualquer outro motivo como corrupção, racismo ou violência, é o que sela todos os episódios passados e presentes, sendo a justificativa, por exemplo, que proporciona tanto o destino da captura de uma escrava quanto à liberdade de outra. O tom distanciado e irônico que Bianchi já demonstrara em obras anteriores, como Cronicamente Inviável, retorna aqui e igualmente seus pontos positivos – sua indiscutível originalidade, por exemplo, ao reproduzir narrativas que foram extraídas das crônicas de Nireu Cavalcanti a partir de relatos originais coletados no Arquivo Nacional – e negativos – a excessiva caricatura dos personagens emblemáticos de representarem tudo o que poderia haver de mais podre no país, como é o caso dos membros da ONG. Ao final, em meio aos créditos, igualmente dá uma versão opcional para o assassinato da até então insuspeitamente honesta Arminda, em que ela procura cooptar seu assassino e transformá-lo em comparsa de jogatina, reproduzindo a lógica do “ninguém se salva” do filme anterior. Agravo Produções Cinematográficas para Riofilme. 110 minutos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário