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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Filme do Dia: Gêmeas (1999), Andrucha Waddington



Gêmeas (Brasil, 1999). Direção: Andrucha Waddington. Rot. Adaptado: Elena Soarez & Andrucha Waddington. Fotografia: Breno Silveira. Música: Michelle Dibucci. Montagem: Sérgio Mekler. Dir. de arte: Gualter Pupo Filho. Figurinos: Angèle Fróes. Com: Fernanda Torres, Evandro Mesquita, Francisco Cuoco, Fernanda Torres, Caio Junqueira, Matheus Nachtergaele.
Marilene (Torres) vive sofrendo com o assédio de sua irmã gêmea Iara (Torres) sobre si, sobretudo no que diz respeito aos namorados. Essa obsessão é um dos motivos que leva a mãe delas (Montenegro) à morte. Quando conhece o proprietário de uma auto-escola Osmar (Mesquita), Marilene pela primeira vez decide romper com o compartilhamento de namorados e decide tê-lo somente para si. Porém Iara não se dá por satisfeita, e até o próprio pai (Cuoco) decide que as duas devem ser uma só.
Essa que é uma das mais precárias adaptações efetivadas sobre a obra de Nélson Rodrigues, não apresenta sequer o humor involuntário que marca, ao menos retrospectivamente, a primeira adaptação para o cinema do dramaturgo, Meu Destino é Pecar (1952). Com o hoje esquecido filme de Manuel Pelufo, esse filme compartilha apenas a opção por uma chave gótica. Porém ao expressá-la em diálogo com os cânones dos filmes de gênero como o suspense e o terror o filme perde a saborosa representação da baixa classe média carioca, quiçá o que de melhor o dramaturgo tem a oferecer e bem desenvolvida nas suas melhores adaptações como A Falecida (1965) e Toda Nudez Será Castigada (1972). Aqui, há uma ditadura de certo preciosismo visual visivelmente influenciada pelo cinema americano clássico e esse afã por uma produção bem cuidada acaba matando qualquer possibilidade de trabalhar de modo anárquico as mesquinhezas dessa classe média neurótica. Tampouco o trabalho dos atores, sofrível em certos casos como o de Mesquita, ajuda a emprestar verosimilitude aos personagens e ao cenário social no qual se movem. Tudo parece um tanto quanto fake e atemporal e, nesse sentido, menos interessante que até mesmo as mais sofríveis adaptações da obra de Rodrigues efetivadas no início da década de 1980. Para piorar tudo, há um evidente falta de ritmo no modo como a narrativa se desenrola, tornando tudo ainda mais anêmico e inócuo, talvez mais apropriado para um curta-metragem. Conspiração Filmes. 75 minutos.


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