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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Filme do Dia: The Adventure of Iron Pussy (2003), Apichatpong Weerasethakul


The Adventure of Iron Pussy (Hua Jai Tor ra Nong, Tailândia, 2003). Direção e Rot. Original: Apichatpong Weerasethakul& Michael Shawaonasai. Fotografia: Surachet Tongmee. Figurinos: Prae Prakmis. Com: Michael Shawaonasai, Siriyakom Pukkavesh, Krissada Terrence, Theerawat Thongjitti.
Quando se traveste literalmente de Iron Pussy (Shawaonasai), travesti consegue derrotar vários homens juntos. Junte-se a isso a atração que exerce nos homens e Iron é designada como agente para enfrentar a corrupção que envolve a família da multimilionária Pompadoy e seu filho Tang (Terrence), que se apaixona por uma das criadas que ninguém é menos do que a própria Iron Pussy e, para sua decepção, sua irmã gêmea.
É curioso, senão mesmo instigante, saber que apenas um ano antes de sua descoberta internacional com o premiado Mal dos Trópicos, que o colocaria no mapa do cinema de arte contemporâneo, Weerasethakul tenha dirigido essa comédia, em tudo distinta praticamente do sucesso do filme seguinte, que reorientaria certamente a carreira do realizador. Aqui se trata de uma comédia que consegue capitalizar em cima de sua própria precariedade. A origem humilde da heroína  e seu travestismo, dupla exclusão do universo estabelecido (e, claro, corrompido) da alta sociedade tailandesa se unem a sua divertida sátira canibalizadora, a seu modo, tão vasta quanto a de Sganzerla: do evidente mau gosto da estética kitsch ao musical, do filme de ação ao melodrama clássico (não falta sequer a medalha que identifica, não se sabe como, Iron Pussy a Pompadoy), de Madame Pompadour aos seriados televisivos. Ou talvez fosse mais próxima a referência a Almodóvar, já que a sátira possui pretensões mais modestas e condizentes com seu tempo do que as presentes em um filme como O Bandido da Luz Vermelha (1968). O escracho é delirante mais inteligente, como se pode perceber no modo com o qual ironiza com o deslocamento do momento musical habitualmente dentro do enredo de um filme, sobretudo quando os recém-descobertos irmãos se encontram em vias de despencar fatalmente de um despenhadeiro e Tang começa a cantar, como se nada acontecesse. O estilo visual, assumidamente precário, tal como nos primeiros filmes de Almodóvar é uma atração por si só, assim como os rompantes de romantismo delirantemente kitsch, que não faltam referências a Noviça Rebelde (1964). No filme seguinte, a única evocação, despida do kitsch, é a do casal homossexual trafegando em uma moto.  Inusitadamente seu co-roteirista e realizador é quem vive com bravura o papel de sua protagonista. Kick the Machine para Alanys Films. 90 minutos.

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