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domingo, 19 de julho de 2015

Filme do Dia: 20,000 Leagues Under the Sea (1916), Stuart Paton


20,000 Leagues Under the Sea (EUA, 1916). Direção: Stuart Paton. Rot. Adaptado: Stuart Paton, a partir do romance Vingt Mille Lieues sous les mers de Jules Verne. Fotografia: Eugene Gaudio. Dir. de arte: Frank Ormston. Com: Allen Holubar, William Welsh, Dan Hanlon, Jane Gail, Curtis Benton, Joseph W. Girard, Martin Murphy, Edna Pendleton.
Nemo (Holubar) navega em seu submarino Nautilus afundando navios que o avistam e ganha fama de  estranho monstro marinho. Uma expedição norte-americana, comandada pelo Prof. Aronnax (Hanlon) é enviada para observar o fenômeno e são igualmente naufragados pelo submarino, sendo  Aronnax, sua filha (Pendleton) e mais dois homens recolhidos e tratados inicialmente como prisioneiros e, posteriormente, como hóspedes de honra do Nautilus. Quando o Nautilus se encontra às margens de uma ilha, serve mantimentos para a tripulação de uma excursão balonística que teve problemas próximo da ilha. Membros da excursão encontram a Filha da Natureza (Gail) que lhe revela ter sido abandonada quando criança pelo pai numa situação de tensão iminente. A presença de um iate, que Nemo vem a saber se tratar de propriedade de Charles Denver (Welsh), torna o local perfeito para sua esperada vingança e motivo para atravessar os mares com seu submarino. Ele conta para todos que Denver foi responsável por sua desgraça enquanto monarca de um reino muçulmano, pela morte de sua esposa e desaparecimento de sua filha. A vingança é perpetrada, Nemo reencontra a filha, que é ninguém menos que a garota encontrada pelos expedicionários na ilha, mas seu coração fraqueja de tanta emoção e, como cumprimento de seus desejos, seu enterro é realizado no local que mais amou em vida: o fundo do mar.
Essa surpreendente adaptação de Verne, que não chega a ser a primeira (Méliès já havia empreendido uma em 1907), foi a primeira produção cinematográfica a fazer uso de filmagem submarina – anteriormente as menções ao fundo do mar ainda faziam uso da cenografia estilizada típica das produções de Méliès. Inicia com um prólogo que destaca justamente a façanha devida aos cinegrafistas, George e Ernest Williamson assim como presta seu tributo a Verne. Ao destacar esse feito cinematográfico, ressaltado por prolongados minutos que representam o momento relativamente breve no romance em que Nemo apresenta a seus convidados as maravilhas do mundo submarino, assim como posteriormente pela seqüência de passeio nos jardins das profundezas, o filme sem dúvida busca remeter a mesma lógica de uma obra ficcional aproximada com as maravilhas do mundo científico. Curiosamente, termina por desfazer boa parte da visão etnocêntrica previamente sugerida. A “filha da natureza”, ao final de contas, era pertencente a uma cultura estabelecida e Nemo, o criador do genial submarino, um muçulmano que sofreu nas mãos dos ocidentais. O filme faz questão de frisar que esse rocambolesco “flashback” que explora o pasado orientalista de Nemo foi “mantido em segredo” por Verne, tratando-se, portanto, de uma licença poética ou extravagante do próprio filme. Aliás, no aspecto visual e narrativo o filme é igualmente surpreendente. Mesmo que se torne relativamente preso ao emaranhando e diversidade de subtramas e profusão de personagens, é bem construído em termos de uma decupagem que aponta para o cinema clássico. Com relação ao etnocentrismo mais escancarado de produções como as da série Tarzan, que iniciaria alguns anos após, cumpre ressaltar que o filme não deixa de submeter  à convenção do período de “enegrecer” os atores que viverão os personagens não-ocidentais e apresentar, a determinado momento, um criado negro (e esse o único negro de fato, diga-se de passagem) entre os expedicionários que aportam a ilha os servindo, personagem que simplesmente sumirá da mesma forma como apareceu na narrativa, do nada. Destaque para a forma orgânica com que as sequências submarinas se encaixam no universo ficcional, de forma bem menos agressiva e explícita, inclusive com relação à textura da imagem, do que nos filmes clássicos da série Tarzan vivida por Weissmuller. Ganharia mais duas versões cinematográficas, a única realizada em ação ao vivo filmada em 1953, com cenas submarinas efetivadas no mesmo local dessa produção. Destaque para a inusitada beleza que acompanha de longe os devaneios da Filha da Natureza do alto de uma colina e rodeada por pássaros, numa pretensa visão do paraíso um tanto incomum para os padrões contemporâneos. Assim como para o espalhafatoso uniforme da tripulação e do próprio Nemo, que o aproxima da figura de Papai Noel. National Film Registry em 2016. Universal Film Manufacturing Co./Williamson Submarine Film Corp. para Universal Film Manufacturing Co. 105 minutos. 

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