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domingo, 20 de julho de 2014

Filme do Dia: Um Rei em Nova York (1957), Charles Chaplin






Um Rei em Nova York (A King in New York, Reino Unido, 1957). Direção e Rot. Original: Charles Chaplin. Fotografia: Georges Périnal. Música: Charles Chaplin. Montagem: John Seabourne Sr. Dir. de arte: Alan Harris. Figurinos:John Wilson-Apperson. Com: Charles Chaplin, Oliver Johnston, Maxine Audley, Dawn Adams, Jerry Desmonde, Michael Chaplin, Sid James, Joan Ingram.

O Rei Shahdov (Chaplin), deposto de seu país, passa a morar em um hotel de luxo, em Nova York, ao lado de seu fiel escudeiro, o embaixador faz-tudo Jaume (Johnston), tendo que agora viver de sua celebridade depois de ter sido filmado às escondidas em um jantar orquestrado pela produtora de tv Ann Kay (Adams), após ter deixado sua mulher, Irene (Audley), livre para se divorciar e ir morar em Paris. O rei se envolve com o garoto-gênio que conhecera em uma escola especial, Rupert (Michael Chaplin), a quem acolhe em uma dia de intenso inverno, e que possui os pais acusados de comunismo e condenados a prisão. Shahdov tenta sem sucesso um envolvimento com Ann Kay, visitando  Rupert, que teve os pais absolvidos em julgamento e decide se juntar a Irene em Paris.

Pífio em comparação com a maior parte de seus filmes anteriores, sendo sua última obra de real interesse Monsieur Verdoux (1947), Chaplin apresenta sua visão ressentida de uma América que lhe negara a permanência como residente justamente por conta da acusação de comunismo. Para além da nada velada menção aos anos de Macarthismo, no julgamento dos pais de Rupert, há toda uma visão negativa do que seria essa América contemporânea, representada pelo rock em ascensão e mesmo por um cinema apenas preocupado com violência e temas sensacionalistas, além evidentemente do império do consumo guiado pela indústria de publicidade. No melhor momento do filme, Ann Kay se dirige ao protagonista fazendo uma propaganda de um novo desodorante (recurso que Godard fará excelente uso na década seguinte, através de toda uma sequência de diálogos em que um grupo de pessoas fala como nos anúncios publicitários) e o rei, que não sabe estar sendo filmado, nada entende. Longe, por exemplo, do humor perspicaz que inclusive acrescenta elementos do próprio mundo da publicidade em sua sátira como o do contemporâneo Frank Tashlin, o de Chaplin é próprio de uma majestade decadente, o que diz respeito a sua própria imagem e o fracasso comercial de seus filmes após O Grande Ditador (1940). Pior que tudo para uma comédia, o filme é escasso de momentos realmente cômicos, sendo suas alusões ao universo cômico de outrora, como a de uma apresentação em um restaurante (evocativa do Gordo de O Gordo & O Magro) ou do próprio embaraço do rei com a mangueira de incêndio de um elevador em que acabará lavando sua honra diante do tribunal que o persegue longe de hilariantes. O filho de Chaplin, Michael, não seguirá carreira artística depois de ter trabalhado nesse e em Luzes da Ribalta, também de Chaplin, realizando somente dois inexpressivos filmes em meados dos anos 60. O anacronismo de Chaplin ficará confirmado em seu último filme, A Condessa de Hong Kong (1967). Charles Chaplin Prod. para Archway Film Dist. 110 minutos.


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