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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Filme do Dia: O Livro Secreto (2006), Vlado Cvetanovski



O Livro Secreto (Tajnata Kniga, Macedônia, 2006). Direção: Vlado Cvetanovski. Rot. Original: Lljube Cvetanovski & Jordan Plevnes. Fotografia: Thierry Arbogast. Montagem: Atanas Georgiev. Dir. de arte: Valentin Zvetozarev. Figurinos: Blagoja Micevski. Com: Thierry Fremont, Jean-Claude Carrière, Labina Mitevska, Vlado Jovanovski, Kiro Ristevski, Meto Jovanovski, Vladimir Svetiev, Petar Mircevski.

Guy Chevalier (Fremont), orientado por um homem que acredita ser seu pai (Carrière), viaja a Macedônia em busca do livro secreto dos Bogumils, que pretensamente teria sido escrito pelo único homem que viu a face de Deus. Lá ele passa a ser perseguido pelo Guardião do livro e perseguido por sonhos e estranhos acontecimentos.

Sem dúvida o estranhamento é o que marca a narrativa que, até ao final, mantém-se prontamente ambígua entre delírio e realidade. Bem mais do que a própria inventividade visual, por mais que possua seus lampejos que evocam algo remotamente o cinema de Tarkovski na superfície. Aqui, infelizmente, os meios tons não se destacaram apenas no que diz respeito à perspectiva de relação entre mitologia e realidade, mas impregnam o filme em suas interpretações, não mais que medianas (exceção talvez ao veterano roteirista Carrière) e que pretensiosas que soem, não vão além do ralo clichê – como é o caso, dentre muitos outros, da “lição de moral” que um pouco crível Guardião aplica sobre mais um europeu que vem buscar os tesouros de seu país;  aliás o ator que vivencia o personagem demonstra se encontrar aquém do registro esperado. A trilha musical, hipnótica em sua repetição exaustiva de um mesmo tema e por vezes tirando partido de uma igualmente ambígua interação com o universo ficcional, como na seqüência da visita ao cemitério, tampouco chega a ser memorável. Evidentemente, inclusive pela presença de Carrière como ator de destaque (e mais importante no caso, consultor do roteiro), alusões quase automáticas são efetivadas com a produção de Buñuel, vinculadas sobretudo as aparições surreais observadas por Chevalier, mas que se encontram longe do efeito conseguido por aquele, sobretudo em seus últimos filmes. Destaque para a singela interpretação de Labina Mitevska. Studios. 94 minutos.

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