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terça-feira, 29 de julho de 2014

O Corpo Massacrado, Luiz Nazário




No dia dos mortos de 1975, o corpo de Pier Paolo Pasolini foi encontrado pela polícia na praia de Ostia. O jovem delinqüente Giuseppe Pelosi assumiu a responsabilidade pelo crime. Vinte anos depots ainda persistem as dúvidas quanto à verdadeira natureza do assassinato.
Teria este sido um crime político, uma cilada? Teria Pasolini agredido Pelosi antes de ser massacrado? O que levou Pelosi a assumir a exclusiva responsabilidade pela morte de Pasolini, quando todos os indícios parecem demonstrar que houve participação de terceiros? Por que a justiça italiana não levou a investigação até o fim, contentando-se com a versão de Pelosi? Por que as forças progressistas nãofizeram nenhuma pressão para a reabertura do processo? Não seria a hora de romper, de uma vez por todas, esta conspiração do silêncio?
Na noite do dia 1° de novembro de 1975, por volta das 22 horas, o poeta, escritor e cineasta Pier Paolo Pasolini, o intelectual italiano mais conhecido no mundo e mais odiado na Itália, dirigiu-se, como de costume, para a Stazione Termini, em busca de "rapazes da vida". Havia três que esperavam clientes, e um quarto que tinha ido tomar chá no bar da esquina. Pasolini não se sentiu atraído por nenhum dos três e foi se afastando do ponto, quando percebeu o quarto, saindo do bar. Chamava-se Giuseppe (Pino) Pelosi, e tinha 17 anos. Depois de uma breve conversa, Pasolini o convenceu a subir em seu Alfa GT metálico. Os três companheiros de Pino gritaram ao ver o carro partindo: "Cuidado com esse, é Pasolini, passivo e ativo!" No mundo dos "rapazes da vida", homossexual éapenas aquele que se deixa possuir, aquele que assume o papel que se imagine feminino. O jovem que vende seu corpo acredita-se másculo e viril, apenas proporcionando o prazer, nunca o experimentando em si próprio.
Pasolini levou primeiro Pelosi para jantar num bom restaurante, e ao que parece tentou doutriná-lo, com uma série de comentários sobre a sociedade industrial, o consumismo, a falsa tolerância das elites. Pelosi mostrou-se aborrecido, preferiu comer algo simples, e desincumbir-se logo da tarefa. Dirigiram-se ao terreno baldio de Ostia, que Pasolini conhecia bem. A partir deste momento, existe apenas a versão de Pelosi para a reconstituição daquela noite. Se de fato tudo se passou entre Pino Pelosi e Pier Paolo Pasolini, ninguém mais poderia dizer o que realmente se passou. Podemos, no entanto, acompanhar o confuso, mentiroso e contraditório depoimento de Pelosi imaginando alternativas de realidade.
Estacionado o Alfa Romeu, Pasolini, pediu que Pelosi descesse do carro e se apoiasse numa rede metálica. Pelosi obedeceu "assim, para ver" (mas ver o que, na escuridão?). Depois de tentar abaixar as calças de Pelosi, Pasolini teria recolhido um pedaço de pau para enfiar-lhe no ânus (o que só seria concebivel na imaginação de um Pelosi, para justificar sua ação de "legitima defesa" sem precisar admitir a conivência na relação sodomítica). Pelosi teria se virado e dito: "Está louco?" Pasolini, sem óculos, teria revelado a Pelosi uma "cara de doido, de dar medo".
Pelosi escapou na direção da estrada asfaltada, seguido por um Pasolini que Ihe golpeava com o bastão, na cabeça e em várias partes do corpo (Pasolini podia ser masoquista, tal como o afirmou, certa vez, Alberto Moravia, mas dificilmente ele sairia correndo para golpear um "rapaz da vida" assumindo a postura de um delinquente: "Nunca, em toda a minha vida, cometi um ato de violência', escreveu, e certamente foi sincero ao escrevê-lo; o que o excitava era o jogo da sedução de menores, jamais a iolação). Então Pelosi o agarrou pelos cabelos, deu-lhe dois socos na cara, e bateu nele com dois pedaços de pau que encontrou no chão. Escapuliu até o carro, levando os tocos, que colocou junto à cerca. Fugiu com o carro e, aí, em estado de choque, passou acidentaimente (ou para evitar que Pasolini mais tarde se queixasse à policia, eliminando-o de uma vez por todas, na vã ilusão de escapar à justiça) pelo corpo de Pasolini. Esmagou seu tórax, quebrou suas costelas, lacerou seu coração.
O massacre durou meia hora. Pelosi então tomou a estrada, dirigindo em alta velocidade e na contramão. Foi parado pela policia e preso por furto de automóvel. Interrogado na prisão, não demorou a confessar o crime. A única coisa que o preocupava era ter perdido um anel com a inscrição "United States of America", que ganhara de um marinheiro americano, e seu maço de cigarros. Sabia, porém, a quem tinha assassinado: "Matei Pier Paolo Pasolini", declarou a um detento, com orgulho, antes mesmo do interrogatório. A polícia encontrou o anel de Pelosi bem junto ao cadáver de Pasolini; o maço de cigarros estava no porta-luvas do carro. A confissão de Pelosi soava convincente. Até demais.
Os investigadores não demoraram a encontrar pontos falhos no relato. Pelosi descrevia o crime em Ostia como uma série continua de ações e reações encadeadas; mas a camisa de Pasolini foi encontrada, ensangüentada, perto do carro: ele teria tido tempo de retirá-la, após uma primeira pancada na cabeça, e limpado nele seu sangue, andando cerca de 70 metros, e aí então recebendo um violento chute nos testículos que o deixou prostrado, sendo finalmente coberto de golpes que laceraram diversas partes de seu corpo. A agressão teve duas fases bem distintas. A morte ocorreu, finalmente, quando Pelosi, embora tendo espaço suficiente para manobrar o carro e retomar a estrada, preferiu passar por cima de um Pasolini todo ferido, e de uma forma que só poderia ser qualificada de intencional. Que Pelosi tenha logo confessado o crime e chamado a atenção para o anel e o maço de cigarros, encontrados no local do crime, pareceu uma indicação de que, não tendo agido sozinho, recebera a incumbência de inculpar-se. Além disso, foram encontrados quatro pedaços de pau, com sangue e cabelo de Pasolini: por que Pelosi teria necessidade de quatro diferentes bastões para golpear a vítima, experimentando ou trocando sucessivamente suas armas? Finalmente, como explicar que o corpo de Pasolini estivesse todo ensangüentado e Pelosi sujo de sangue apenas na barra da calça e na sola do sapato? Como seria possível que um homem forte como Pasolini não tenha conseguido dominar um rapazinho, ou pelo menos lutado para defender-se? Até a direção do carro estava limpa, não contendo nenhuma mancha de sangue, havendo apenas alguns traços sobre o capô. As feridas do "agressor" Pasolini ainda sangravam dozes horas depois de sua morte, seu corpo estava coberto de equimoses e lacerações, enquanto o "agredido" Pelosi tinha apenas uma pequena ferida na testa, proveniente, por certo, de uma batida contra o vidro do carro, ao ser parado pela polícia.
O que realmente aconteceu? A versão de Pelosi é um delírio de "rapaz da vida" que prefere cometer e confessar um massacre a assumir sua homossexualidade. Primeiro, ele sabia quem era Pasolini, tal como os outros prostitutos, que o teriam advertido: "Esse é passivo e ativo!" Pasolini deve ter sodomizado Pelosi, pagando um pouco mais. Intriga-me, neste ponto, e os autores que trataram do crime nunca o esclareceram, que Pelosi não tenha sido examinado pelos médicos legistas, em busca de vestigios do sêmen de Pasolini. É possivel que o ato sexual tenha sido consumado. Não teria, então, Pasolini adormecido? Pelosi teria tido, neste caso, uma boa ocasião para roubar o carro daquele "degenerado" que o havia feito de mulher. Bastava dar-lhe umas pancadas, e passar o carro em cima. Foi o que fez. "Pino fez bem, estava em seu direito", diriam mais tarde seus colegas. Tendo recebido uma primeira bastonada, Pasolini acordou abalado, já sem possibilidade de reagir.
Cambaleou cerca de 70 metros, talvez arrastado pelos cabelos, levou um chute nos testiculos que o fez ajoelhar de dor, e continuou sendo batido, até cair de bruços. Pelosi arrancou a camisa de Pasolini, impou nela as mãos sujas de sangue, foi até Q carro, jogou ali perto os bastões usados e passou o carro por cima do corpo, para ter a certeza de que aquele não se levantaria mais. Isto explicaria as duas fases da agressão, a ausência de sangue sobre Pelosi, a direção do carro sem manchas: foi o jovem assassino quem teria usado a camisa de Pasolini como toalha, e a ausência de luta seria explicada pelo sono da vitima, satisfeita após o coito. Todas as mentiras de Pelosi adviriam do fato de não querer jamais admitir ter cedido ao ato.
Mas teria sido Pelosi o único assassino? Dacia Maraini, que entrevistou Pelosi na prisão, saiu convencida de que ele era o assassino, mas não excluiu a possibilidade de mais agentes. No inventário dos objetos encontrados no carro de Pasolini havia uma palmilha para pé de sapato direito que não pertencia nem a Pasolini nem a Pelosi, além de uma malha verde, igualmente sem dono. Graziella Chiarcossi, a sobrinha de Pasolini, havia limpado o carro no dia anterior e nada havia encontrado, o que não exclui, porém, que Pasolini pudesse ter recolhido outro "rapaz da vida" entre a hora da limpeza e a noite do crime, e que aquele tivesse esquecido estes pertences no carro. O que intriga mais é o uso de quatro bastões, provenientes de uma tabuleta verde, partida em duas, e de dois pedaços de madeira, também originalmente apenas um. Uma explicação possivel é que Pelosi tenha partido os dois pedaços em quatro de tanto espancar Pasolini. Outra é que não tenha mesmo agido sozinho, que o massacre tenha sido iniciado por terceiros, permanecendo Pelosi apenas assistindo à luta, ou dando alguns chutes, o que explicaria a ausência de sangue sobre si.
O jornalista Furio Colombo esteve no local do crime e recolheu um depoimento que, apesar de publicado no jornal La Stampa, a 4 de novembro de 1975, não foi levado em conta pela polícia: "Chamo-me Salvetti, disse um homem robusto, com os cabelos brancos - vivo aqui (indica a barraca). Vi como ele estava... Sei quem é Pasolini. Ouvi como ladravam os cães. Vivo aqui. Chamo-me Salvetti. Estou acostumado com esta vida. Acredite. Eram muitos". Furio entrevistara Pasolini um dia antes de sua morte e o cineasta havia sugerido o título da matéria: "Estamos todos em perigo". Outro jornalista, Moreno Marcucci, parece ter encontrado aquela testemunha, que se Ihe apresentou sob o nome de Ennio Salvitti, e que apenas um dia depois afirmou nada ter ouvido durante toda a noite, passada na barraca com a mulher e a filha. Ninguém se lembrou de interrogar a mulher e a filha, nenhum Salvetti ou Salvitti foi convocado pelo tribunal. Oriana Fallaci, numa famosa reportagem para L'Europeo de 15 de novembro de 1975, mencionou a existência de três assassinos: Pelosi e dois jovens que chegaram depois, montados numa motocicleta. Estes teriam espancado Pasolini, e deixado Pelosi sozinho. Aflito, Pelosi passou com o carro sobre o corpo e fugiu. Parece que nas unhas de Pasolini foram encontrados residuos de pele, que não pertenciam a Pelosi: ele teria tentado, então, desesperadamente defender-se.
Mas o mistério maior permanece: quem eram esses rapazes? E por que Pelosi nega até hoje a cumplicidade de outros agentes, insistindo em ser o único assassino de Pasolini? (Mauro Volterra, o jovem jornalista que colaborou com a Fallaci na famosa reportagem, especializado em investigar o neofascismo, morreu em 1989, precipitando-se de uma janela de seu apartamento, em circunstâncias nunca claramente esclarecidas).
Laura Betti, depois do crime, recolheu todas as citações de Pasolini nos tribunais italianos, todas as denúncias contra seus filmes, seus livros, seu comportamento sexual: esta impressionante crônica judiciária revela como Pasolini, que teve que responder a dezenas de processos, era cotidianamente linchado pela sociedade. Mesmo depois de massacrado, tentaram transformá-lo no verdadeiro autor do crime, no único culpado por sua própria morte. A "agência de informações" Stampa Internazionale Medica difundiu, junto aos jornais, o parecer psiquiátrico do professor Aldo Semerari, que, mesmo sem nunca ter encontrado Pasolini, qualificou seu caso como o de um coprófilo, psicopata do instinto, anormal sexual, homofílico e homossexual exibicionista e fetichista, de instintos profundamente degenerados; portanto, o ato criminoso "cometido por Pasolini" (sic) teria sido apenas a expressão de sua enfermidade mental. (Em 1983, o criminalista Aldo Semerari, ligado à Máfia e aos meios neofascistas, foi encontrado decapitado numa Fiat 128, em Ottaviano, num outro crime jamais esclarecido.)
A culpa de Pelosi foi estabelecida em 26 de abril de 1976, e a pena foi de 9 anos, 7 meses e 10 dias de prisão, com multa de 30 mil liras, por homicídio voluntário "em concurso com desconhecidos". Mas a Procuradoria Geral impugnou esta sentença, estabelecendo, enfim, a responsabilidade exclusiva de Pelosi, como forma de encerrar definitivamente o caso, sem esclarecê-lo. Marco Tullio Giordana qualifica, por isso, o assassínio de Pasolini como um "delito italiano", um crime típico de seu país, com as seguintes características: 1. É um crime significante, que exprime uma mensagem, gera informações, sintetiza uma situação. 2. É um crime semi-impune, que se investiga e se castiga apenas parcialmente, ocultando-se os verdadeiros responsáveis. 3. É um crime fartamente interpretado, pois, devido às próprias falhas do processo, ele se torna aberto às especulações. 4. É um crime mediático, transformado em espetáculo, como uma execução pública que os espectadores devem tomar como um exemplo. De fato, o jornal L'Expresso acabou por divulgar as fotos do corpo mutilado de Pasolini, nescrupulosamente obtidas nos gabinetes dos médicos legistas e da polícia, e publicadas para causar sensação e também para mostrar como um homossexual, que transgride as normas da sociedade, pode acabar se persiste em dar vazão aos seus instintos. Giordana observou ainda que nem o governo nem a presidência da República enviaram qualquer mensagem de condolências para a mãe de Pasolini. Somente o Presidente do Conselho, Aldo Moro, enviou um telegrama, a título pessoal (Três anos mais tarde, Aldo Moro morreu assassinado, em circunstâncias misteriosas, nas mãos das Brigadas Vermelhas, depois de permancer 55 dias seqüestrado).
Ironicamente, Pelosi recebeu, durante sua prisão, centenas de cartas de admiradores anônimos, algumas cheias de dinheiro, mensagens de solidariedade e até propostas de casamento. Teve sua pena reduzida a 7 anos por "bom corportamento", saiu do cárcere mas foi outras vezes detido por furtos, estupros, tentativas de assassinato. Encontra-se, cumprindo pena, na prisão de Rebbiba, em Roma, pelo roubo de um carro-forte. Continua a declarar, obsessivamente, que não é homossexual e nunca foi garoto de programa. Pretende escrever um livro com sua versão do crime.
Em Morte di Pasolini, um velho amigo de Pasolini, Dario Belezza, que também compartilhava daquele estilo de vida, tentou demonstrar por que o crime não era político, e sim um drama tipicamente homossexual. Estatísticas de mortes de homossexuais parecem confirmar esta interpretação: no Brasil, o antropólogo Luis Mott denunciou que, a cada quatro dias, um homossexual éassassinado no país, num total de 1.200 assassínios de homossexuais registrados entre 1980 e 1993. Eles são mortos, na maioria dos casos, por garotos de programa, espécies de ladrões sem identidade sexual, que alegam ter praticado o crime porque seus clientes os teriam forçado a ser passivos, com o que conseguem obter absolvição da Justiça por "legítima defesa".
Contudo, ser assassinado não é um elemento constitutivo da condição homossexual. Não se pode naturalizar uma situação que foi historicamente criada: seria reduzir ao silêncio as denúncias de Pasolini da mutação antropológica do povo italiano, sua massificação, comum a todos os povos em processo de industrialização e globalização, incluindo aí o Brasil: é esta mudança social catastrófica que gera uma criminalidade e uma violência de massa, da qual os homossexuais tornam-se as primeiras vítimas, ao entrar em contato direto e físico com as novas criaturas geradas pela mutação. Pasolini não morreu "porque quis", como pretenderam seus críticos, e mesmo alguns de seus amigos. O "drama homossexual" não é uma situação eterna, um absoluto sem história. Pasolini morreu violentamente porque a sociedade industrial, antes de inventar a "solução final" da Aids, degradou o erotismo ao qual ele não podia, ou não queria, renunciar, a despeito de todos os riscos que esta sexualidade passou a implicar e os quais ele não cessou de denunciar. A paixão de Pasolini pelos corpos dos jovens pobres e marginais de Roma permaneceu a mesma até o fim: foram os jovens pobres e marginais que, ao adotarem os novos valores do poder, transmitidos pela publicidade e pelas mídias, transformaram-se em delinqüentes perigosos e sem escrúpulos, capazes de todos os crimes.
O assassínio de Pasolini, se não foi político no sentido de uma conspiração neofascista, de uma armadilha montada pela extrema-direita, de um crime planejado e executado por profissionais, a serviço de grupos poderosos, incomodados por suas denúncias, foi político no sentido de demonstrar a verdade das coisas horríveis que ele vinha experimentando em seu corpo, sentindo aí, como nenhum outro intelectual, as transformações pelas quais passava a juventude italiana. Pasolini amava tanto esta juventude que não podia suportar sua mutação, operada pela economia politica. Os últimos livros que leu, ou ainda lia, foram encontrados em seu carro: Sobre o futuro de nossas escolas, de Nietzsche; e 1843 - Cartas do jovem Marx aos seus amigos. O futuro da juventude, sua educação, a revolução da escola e da sociedade foram as suas preocupações, até o fim. O sexo era, para ele, mais do que para outros homossexuais, um instrumento de conhecimento da realidade: graças aos contatos diários que mantinha com os jovens do povo, pode perceber, antes de todos, que eles se convertiam lentamente em jovens criminosos sem identidade, sem esperança e sem escrúpulos, prontos para matar, formando uma camada social favorável a um sistema de terror, exércitos de reserva para o advento do novo fascismo, que chegou, nas últimas eleições italianas, a posições de poder. O assassinato de Pasolini foi um crime político, cuja responsabilidade recai tanto sobre seus agentes diretos quanto sobre o modelo econômico adotado pela sociedade italiana, que, como tantas sociedades agrárias e pouco industrializadas, decidiu enriquecer depressa através do genocídio.

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