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terça-feira, 20 de março de 2018

Filme do Dia: Melô (1986), Alain Resnais


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Melô (Idem, França, 1986). Direção: Alain Resnais. Rot. Adaptado: Alan Resnais, baseado na peça de  Henri Bernstein. Fotografia: Charles Van Damme. Música: M. Philippe-Gérard. Montagem: Albert Jurgenson. Com: Sabine Azéma, Pierre Arditi, André Dussollier,  Fanny Ardant, Jacques Dacqmine, Catherine Arditi.
                 Pierre (Arditi) e sua esposa Romaine (Azéma) - carinhosamente apelidada pelo marido de Dimanche recebem o amigo de longa data de Pierre, Marcel (Dussollier). Embora Marcel enfatize que eles parecem possuir uma felicidade que não lhe acompanha, apesar da fama - é um violonista de renome internacional - Romaine sente-se grandemente entusiasmada por ele, marcando um encontro no seu apartamento, fazendo questão que seu marido não seja convidado. No dia seguinte, os dois ensaiam no apartamento de Marcel, que após repudiá-la como vulgar num primeiro momento, pede que vá com ele para uma boate. Quando se encontram em clima romântico na boate, surge Pierre. Mesmo assim, ambos vão dormir no apartamento de Marcel, e sentindo-se fortemente apaixonados. Porém, além da culpa habitual, na noite em que Romaine combinara fugir com Marcel, Pierre sente-se extremamente mal, sendo auxiliado em grande parte pela prima que mora próxima. Após a chegada do médico (Dacquimine) Romaine desaparece. Sua instabilidade emocional torna-se insuportável e ela suicida-se. Pierre casa-se com a prima, Christiane (Ardant), fato que Romaine já havia previsto na carta-testamento que lhe deixou. Pouco antes de partir para Túnis por motivos profissionais e, sabendo que Marcel se encontra em Paris, Pierre visita-o e tenta de toda forma conseguir a confissão de que ambos foram apaixonados, para que possa se sentir menos atormentado, embora Marcel negue categoricamente. Porém quando Pierre pede-lhe que toquem juntos a peça favorita de Romaine, esse indiretamente confirma tudo sobre seu relacionamento com ela, afirmando a Pierre que esta o amava profundamente, já que sua última mensagem fora endereçada a ele.
Destaque para a seqüência inicial, a mais longa do filme, onde através da predominância de longos planos, elaborada movimentação de câmera, composição de imagem (principalmente no que se refere a distribuição dos atores no campo), ritmo perfeito e um enquadramento que destaca o plano perpendicular, Resnais consegue criar um singular senso de intimidade e conforto - que culmina com o mais longo plano do filme, que no final destaca as reminiscências amorosas mal-sucedidas de Marcel em close-up. Infelizmente a virtuosidade presente nessa primeira seqüência perde força com o continuar da narrativa, sobressaindo-se, no entanto, em alguns momentos posteriores, como na breve e bela seqüência que sugere serem os momentos finais anteriores ao suicídio de Romaine. Na seqüência final percebe-se, em oposição a inicial, uma montagem mais dinâmica, com destaque para o tradicional plano/contra-plano, construindo uma atmosfera de tensão também igualmente contrária ao início. Como que para reforçar ainda mais a característica marcadamente teatral do filme, certas sequências, todas pontuadas por fusões, iniciam com a representação de uma cortina de teatro, assim como em certas cenas a iluminação (que possui uma força dramática considerável) é gradativamente diminuída até deixar apenas visível a silhueta dos atores. O resultado final é um intenso, ainda que irregular, drama de câmara. CNC/Films A2/MK2 Productions. 112 minutos.