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quarta-feira, 7 de março de 2018

Filme do Dia: A Queda (1962), Kon Ichikawa


A Queda - Poster / Capa / Cartaz - Oficial 1

Queda (Hakai, Japão, 1962). Direção: Kon Ichikawa. Rot. Adaptado: Natto Wada, a partir do romance de Tôson Shimazaki. Fotografia: Kazuo Miyagawa. Música: Yasushi Akutagawa. Dir. de arte: Yoshinobu Nishioka. Com: Raizô Ichikawa, Rentarô Mikuni, Shiho Fujimura, Eiji Funakoshi, Keiko Kishida, Ganjiro Nakamura, Seiji Miyaguchi, Hiroyuke Nagato. Yoshi Katô, Haruko Sugimura.
Segawa Ushimatsu (Ichikawa) se torna órfão de pai, quando da súbita morte desse após enfrentar um touro. Seu tio (Katô)  lhe aconselha fortemente a esconder-se e fazer parte  de uma família de burakumins, segmento social tido como impuro por tradicionalmente ter exercido profissões impopulares. Ushimatsu é ávido leitor de Inoko Rentaro, escritor e defensor dos direitos dos burakumins, a quem conhece pessoalmente. Segawa possui forte atração por Oshiho (Fujimura), filha de um professor alcóolatra caído em desgraça.  Segawa se torna professor primário. Aos poucos, fortes boatos se espalham a respeito dele ser um burakumin.  Quando Rentaro visita-o, ele finge nunca tê-lo conhecido, mesma estratégia que já havia utilizado quando fora procurado por um político candidato a prefeito. Quando Rentaro surge morto, Segawa decide que é hora de assumir e o faz diante de sua classe de crianças. Ele assina uma carta de demissão e resolve partir para Tóquio com Oshiho como sua companheira, sendo saudado por boa parte da população, incluindo seus ex-colegas de escola e as crianças.

Um senso de proporção, no limite quase exagerado, parece acompanhar o filme, disseminando-se pelos delicados e sutis fades em harmonia perfeita com sua não menos discreta e penetrante trilha sonora. Soma-se a isso a escolha dos ângulos que traz belos recortes dentro dos planos e os tons algo esmaecidos-melancólicos da fotografia e se tem construída uma perfeita representação do universo de seu atormentado protagonista, cujo luto pelo pai é antecedido e procedido pela melancolia de si próprio e de sua condição social pária sobre a qual não possui domínio. Dito isso, muito de sua força se perde quando resolve apelar para o sentimentalismo fácil e patético, como se os sentimentos fossem capazes de dobrar com facilidade enraizados tabus sociais de longa duração. De toda forma sua postura auto afirmativa coincide involuntariamente com a plataforma das minorias em sociedades ocidentais, sobretudo àquelas gerações pós-1968. Partindo de um protagonista que mesmo sem ser exatamente um pária, sofre igualmente com forte ressentimento social, inclusive por ser, como aqui, dotado de um talento superior aos seus adversários, A Nova Saga do Clã Taira (1955), de Mizoguchi, consegue ser de longe mais parcimonioso e menos sentimental em seu final. Daiei Kyoto/Daiei Studios para Daiei Studios. 119 minutos.

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