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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Filme do Dia:O Eclipse (1962), Michelangelo Antonioni


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O Eclipse (L´Eclisse, Itália/França, 1962). Direção: Michelangelo Antonioni. Rot. Original: Michelangelo Antonioni, Enio Bartolini, Tonino Guerra & Ottiero Ottieri. Fotografia: Gianni Di Venanzo. Música: Giovanni Fusco. Montagem: Eraldo Da Roma. Dir. de arte: Piero Poletto. Cenografia: Piero Poletto. Figurinos: Bice Brichetto & Gitt Magrini. Com: Monica Vitti, Alain Delon, Francisco Rabal, Louis Seigner, Lilla Brignone, Rosanna Rory, Mirella Ricciardi, Cyrus Elias.
            Vittoria (Vitti), entediada e em crise existencial, decide romper sua relação com Riccardo (Rabal). Riccardo insiste, mas Vittoria finca pé em sua decisão. Vai até a Bolsa de Valores onde encontra a mãe (Brignone) e se sente atraída por um rapaz que trabalha lá, Piero (Delon).

Último filme da chamada Trilogia da Incomunicabilidade de Antonioni, também composto por A Aventura (1960) e A Noite (1961), na qual o cineasta radicaliza mais que qualquer outro filme anterior seu desinteresse por construir uma narrativa clássica e onde muito do que ocorre não possui qualquer relação direta com o eixo central do mesmo (pelo menos, em termos convencionais) como a dança de Vittoria caracterizada como africana no apartamento de uma vizinha ou a longa seqüência que descreve as atividades na Bolsa de Valores. O mesmo pode ser dito de outras estratégias que o cineasta faz uso, como que ironias conscientes com relação ao material que compõe a narrativa cinematográfica clássica, a exemplo do minuto de silêncio em meio a mais absoluta histeria que é o ambiente da Bolsa pela morte de um de seus funcionários – que é acompanhada em tempo real – ou o momento em que Vittoria resolve seguir o homem que Piero havia lhe afirmado que perdera uma quantia exorbitante em ações. O final do filme, nesse sentido, é radical no descolamento entre o que o filme pretende mostrar – ambientes conhecidos por onde os personagens trafegaram agora vazios ou  com a presença de “desconhecidos” – e o enredo que envolve seus personagens. Da mesma forma, sonega informações que seriam imperdoáveis num filme clássico como as motivações que levam Vittoria a se afastar de Riccardo ou se interessar por Piero. Nem mesmo a gratificação das exuberantes locações fotográficas de A Aventura é fornecida ao espectador, já que o filme centra a sua maior parte ou num moderno bairro romano ou no prédio da Bolsa de Valores, construindo composições grandemente formais e nada gratuitas. Essas características somadas às suas interpretações grandemente contidas  acabaram se tornando marca registrada do cineasta e uma das demonstrações mais elaboradas do cinema moderno europeu. Perceber como Vitti encarna uma personagem de mulher bem moderna para sua época, falando a certo momento dos homens como meros adereços, ao invés de chorar desesperadamente por seu amante, como ocorre em A Aventura.  Cineriz/Interopa/Paris Film. 118 minutos.