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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Filme do Dia: A Noite do Demônio (1957), Jacques Tourneur

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Noite do Demônio (Night of the Demon, Reino Unido, 1957). Direção: Jacques Tourneur. Rot. Adaptado: Charles Bennett & Hal E. Chester, a partir do conto Casting the Runes, de M.R. James. Fotografia: Edward Scaife. Música: Clifton Parker. Montagem: Michael Gordon. Dir. de arte: Ken Adam. Com: Dana Andrews, Peggy Cummins, Niall MacGinnis, Maurice Denham, Athene Seyler, Liam Redmond, Reginald Beckwith, Ewan Roberts.
O psicológo John Holden (Andrews) é convidado por seu colega britânico Henry Harrington (Denham) para participar de um simpósio no qual tratarão dos eventos associados a paranormalidade.  Harrington se aproximou de um homem estranho, dr. Karswell, que afirma ter acesso aos demônios. Harrington é vítima de um deles, ao chegar em casa. Sua sobrinha, Joanna (Cummins), torna-se aliada de Holden, na sua luta para desvendar os mistérios insondáveis que rondam as atividades de Karswell.

É curioso que justamente no momento em que a Hammer praticamente revivia o gênero horror, em sua concepção mais tradicional, Tourneur, conhecido por ao menos uma obra-prima que dialoga com o gênero (Sangue de Pantera) venha a realizar essa produção na Inglaterra. De fato, o que mais chama a atenção nessa, além da tensão admiravelmente construída entre o ceticismo do herói, enquanto voz da razão e duplo do espectador e o universo fantástico da ficção é, sem dúvida alguma, a estratégia de não adentrar por completo no universo da fantasia, sendo o viés basicamente predominante do filme algo evocativo de gêneros de perfil mais realista, como o noir, o que é sinalizado ao se ter Andrews como protagonista. Se habitualmente é o herói dos filmes de fantasia que pretende convencer o seu círculo social do elemento sobrenatural que testemunhou, ainda quando inicialmente cético, aqui as reticências com relação ao mesmo valem praticamente até o seu final, quando mesmo Holden tendo vivenciado diversas situações que comprovam a existência do inexplicável, rende-se à atitude cômoda e pragmática da mocinha, vivida de forma um tanto limitada a determinados trejeitos que parecem tornar comparativamente Marilyn Monroe uma grande atriz dramática, e afirmar que “talvez seja melhor não saber” o que de fato se sucedeu. Aparentemente Tourneur não queria apresentar o monstro, tendo sido pressionado pelos produtores para que assim agisse. O que talvez torne incômodo seja menos a “corporificação”, se se trata de um termo aplicável, do demônio, relativamente bem realizada, ao menos quando comparada a maior parte das produções similares contemporâneas que o fato do espectador já se encontrar ciente desde o início que, descartada a hipótese algo absurda do vilão contar com algum aparelho de projeção bastante fabuloso, o que ocorre de fantástico de fato ocorre. Se tudo ficasse em termos da ambiguidade talvez o filme ainda conseguisse um tento maior do que de fato consegue. Porém, já foi um passo significativo em direção a um terror psicológico que levaria tais implicações adiante, como foi o caso de O Bebê de Rosemary (1968), de Polanski. Como naquele, o filme se beneficia ao não adentrar de corpo e alma no elemento fantástico. Esse é observado como que “de fora”. E justamente por isso mais assustador. Ironicamente, seria lançado nos EUA  como a atração menor em um programa duplo que contava com um dos filmes do novo ciclo da Hammer que ressuscitava monstros clássicos da Universal, A Vingança de Frankenstein (1958), de Terence Fisher. Sabre Film Prod./Columbia Pictures Corp. para Columbia Pictures Corp. 95 minutos.