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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Filme do Dia: Nosferato no Brasil (1971), Ivan Cardoso


Nosferato no Brasil (Brasil, 1971). Direção: Ivan Cardoso. Rot. Original e fotografia: Ivan Cardoso. Com: Torquato Neto, Scarlet Moon, Daniel Más, Helena Lustosa.
Seja na Hungria do século XIX (em p&b) ou no Rio de Janeiro dos anos 70, Nosferato (Neto) ataca várias mulheres, nesse filme considerado referência no cinema experimental nacional. Filmado em Super-8 com câmara na mão, não possui nenhuma preocupação de narrativa clássica ou apresentar verossimelhança (as cenas em que Nosferato mata um rapaz, percebe-se que a tábua que ele utiliza para matá-lo não chega nem perto de encostar na vítima) em suas cenas de violência (embora uma beleza, que mescla selvageria e lirismo, evocativa do próprio ato sexual, seja presente nos constantes ataques às mulheres) e a Budapeste do século XIX é visivelmente o próprio Rio dos anos 70. A mais bela cena é a que Nosferato ataca uma vítima no banco traseiro de um carro, enquanto a conotação sexual de seus atos encontra-se presente seja numa cena em que suas “seguidoras” matam um homem, após uma orgia coletiva ou, quando de agressor, Nosferato torna-se vítima da agressão de uma das mulheres que se aproxima. Estilisticamente, o filme trabalha, de modo consistente, a saturação do tempo com cenas de ataques do vampiro, que se repetem nos mais diversos locais, provocando um senso de ritmo igualmente distante da narrativa convencional. Em um de seus mais inventivos momentos,  antes de apresentar uma seqüência, surgem créditos que afirmam: “onde vê-se dia, veja-se noite”. Em outro alude ao fato de que “sem sangue, não se faz história” sobre uma imagem de televisão do programa de Sílvio Santos (referência que, embora aplicável a história da humanidade como um todo, particularmente aqui se refere às torturas ou a letargia de uma classe média, acomodada com sua própria mediocridade, incapaz de esboçar qualquer reação ao momento de repressão?). Na trilha sonora, uma salada pop, típica das produções do período, mescla de ícones do pop norte-americano (Hendrix, Dylan e, sobretudo, faixas de Their Satanic Majesties Request, dos Stones) com jazz e Roberto Carlos, em verdadeiros “cortes abruptos sonoros” (Detalhes, é ouvida para ilustrar uma pequena cena de sedução entre duas jovens, que culmina com o ataque do vampiro). Ao final, Nosferato retorna à Europa de avião. Possui várias versões, inclusive em média e longa metragem. 27 minutos.