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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Filme do Dia: Entre Amigas (1960), Claude Chabrol


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Entre Amigas (Les Bonnes femmes, França/Itália, 1960). Direção: Claude Chabrol. Rot. Original: Claude Chabrol &  Paul Gégauff. Fotografia: Henri Decaë. Música: Pierre Jansen&   Paul Misraki. Montagem: Gisèle Chèzeau,  Jacques Gaillard & Claude le Moro. Dir. de arte: Jean Lavie. Cenografia: André Labussière &  Jacques Mély. Com: Stéphane Audran, Bernadette Lafont, Clotilde Joano, Lucile Saint-Simon, Mario David, Pierre Bertin, Jean-Louis Maury, Dolly Bell, Rossana Rossanigo, Claude Berri.
            Grupo de garotas trabalha em uma loja de eletrodomésticos e sonha em encontrar o amor de suas vidas. Jane (Lafont) namora um militar, André (Lapierre). Ginette (Audran) leva uma vida dupla, apresentando-se como cantora em um clube da noite. Jacqueline (Joano), tímida, sonha com o motociclista (David) que a segue sem nada falar. Rita (Saint-Simon), mais afastada das outras colegas, noiva com um rapaz, que a põe nervosa com a ansiedade com que espera a aprovação dela por seus pais. Ginette é descoberta pelas amigas.  Jane se aproxima de Ernest, o motococilista  e resolvem namorar. Ele, no entanto, a leva para um bosque onde a estrangula.
Talvez o melhor filme de Chabrol que, ao mesmo tempo que segue à risca o distanciamento emocional que lhe é característico, observa com  lirismo e  sutil ironia os personagens populares  que retrata e seus sonhos. Construído em  ritmo de diário, de forma semelhante ao Cléo de 5 às 7 de Varda, o filme possui também a força da narrativa minimalista e da criação de uma atmosfera que é comum ao cineasta. A mais bela seqüência do filme certamente é a final, em que uma das garotas, sentindo-se completamente solitária, é convidada para dançar por um rapaz, e o momento de doce fluidez do encontro do casal mescla-se a bela trilha musical. O tom de casualidade do filme consegue ser mais eficiente do que as tentativas empreendidas por Truffaut em filmes como Jules e Jim. No momento em que Jacqueline é sufocada na piscina pelos conhecidos de Ginette e Jane, Chabrol une a imagem submersa a mudez da banda sonora. Em O Açougueiro, o cineasta voltaria a unir assassinato à um grupo de crianças em passeio, influência evidente de Jean Vigo. Aqui, como em Acossado e outros filmes contemporâneos da Nouvelle Vague, percebe-se um encantamento pela saída das câmeras às ruas de Paris, que se agrega à perfeição a trivialidade alegre dos jovens personagens. Destaques para sua límpida fotografia em preto e branco e o belo uso da profundidade de campo, assim como personagens histriônicos tais como o patrão das moças e o inconveniente rapaz que as corteja de modo histérico.  Chabrol faz uma ponta, como seu mestre Hitchcock, como cliente de um café.  Hakim/Panitalia/Paris Film. 100 minutos.                                


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