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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Filme do Dia: Nuestras Islas Malvinas (1966), Raymundo Gleyzer

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Nuestras Islas Malvinas (Argentina, 1966). Direção: Raymundo Gleyzer.
Para quem antecipadamente sabe do desaparecimento do cineasta dez anos após, vítima do regime ditatorial, imagina-se que esse documentário curto possa se encontrar entre os antecessores do movimento documentarista radical argentino, lembrado quase sempre por La Hora de los Hornos, de dois anos após. Nada mais distante, no entanto, seja em termos de estilo ou de conteúdo. Narrado do início ao final por uma mesmo narrador, a exceção de dois momentos, nos quais entra o áudio de depoimentos de um morador ilustre britânico e de um argentino que permanece morando lá, o filme se aproxima mais de uma leve crônica. Conseguindo autorização do governo britânico, o então jovem de 24 anos realiza uma série de tomadas que apresentam um pouco do cotidiano do pacato vilarejo que é a capital da ilha. Crianças deslizando na neve com seus trenós, um casal britânico no café da manhã, a igreja anglicana, etc. Por mais que demonstre uma impaciência comedida, como quando apresenta a partir de uma série de planos bem curtos – mais curtos do que os que a sua montagem já bastante dinâmica apresenta ao longo de praticamente todo o filme – o quanto a cultura britânica se encontra disseminada em todas as placas e máquinas automáticas presentes ao longo da cidade, em raros momentos o filme toca diretamente em seu ponto nevrálgico. Uma menção breve por volta de dois terços do filme transcorrido e, finalmente, a expectativa final de um dia ver a bandeira inglesa (ironicamente presente até o final do último plano, como a lembrança de uma realidade humilhante) substituída pela argentina. Sua trilha também corrobora para uma estética que se aproxima mais das atualidades do que propriamente de um documentário. O fato de ter sido produzido para a televisão talvez seja bastante significativo dessa aproximação. São temas marciais e clássicos – inclusive por um breve momento a mesma Quinta de Mahler que uma meia-dúzia de anos após seria celebrizada no cinema em Morte em Veneza que surge durante uma tomada aérea – que configuram a maior parte da banda sonora. É digno de nota que, em nenhum momento Gleyzer desqualifique ou ironize, através do comentário, com qualquer dos cidadãos britânicos filmados. Talvez ele aposte numa leitura a contrapelo das próprias imagens por seus conterrâneos. 30 minutos e 17 segundos.


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