CONTRA O GOLPE CIVIL-MIDIÁTICO-JUDICIÁRIO EM CURSO E PELO RETORNO DA DEMOCRACIA

#ELENÃO

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Filme do Dia: Um Sonho de Amor (2009), Luca Guadagnino

Resultado de imagem

Um Sonho de Amor (Io Sono L’Amore, Itália, 2009). Direção: Luca Guadagnino. Rot. Original: Luca Guadagnino, Barara Alberti, Ivan Cotroneo & Walter Fasano, a partir do argumento de Guadagnino. Fotografia: Yorick Le Saux. Música: John Adams. Montagem: Walter Fasano. Dir. de arte: Francesca Balestra de Mottola. Cenografia: Monica Sironi. Figurinos: Antonella Cannarozzi. Com: Tilda Swinton, Flavio Parenti, Edoardo Gabriellini, Alba Rohrwacher, Pippo Delbono, Diane Fleri, Maria Paiato, Marisa Berenson.
A rica família Recchi recebe surpresa a nomeação do jovem e inexperiente Edoardo (Parenti) como um dos presidentes da indústria fundada por seu avô. O melhor amigo de Edoardo, Antonio (Gabriellini) passa a manter uma relação secreta com sua mãe, Emma (Swinton) e a irmã, Betta (Rohrwacher) decide assumir sua homossexualidade. Quando Edoardo fica sabendo de tudo, ele se revolta contra a mãe e acidentalmente cai na borda da piscina e vem a falecer após entrar em coma profundo. Emma decide abandonar a família e assumir seu amor por Antonio.
Comparado por vezes equivocadamente com o estilo de Visconti, demonstra sobretudo um falso estranhamento pseudo-modernista que deixa em aberto por muito tempo sobre qual será a linha dramática a ser aprofundada. Porém, tanto tal lacuna parece ser fruto menos de uma decisão auto-consciente do que de sua própria fragilidade e inocuidade e, ao mesmo tempo, quando se afirma de fato aonde o filme quer chegar, cai-se numa banal história de amor e desejo que em nada fica a dever, guardadas as devidas proporções, a ilustres antepassados tais como Quando o Coração Floresce  (1955), de David Lean, igualmente centrado no redespertar do amor de uma mulher de meia-idade atraída por um homem mais jovem. Até mesmo seu tom moderado, que o acompanha do início até próximo do final sucumbe com a opção desastrosa e fácil da morte de Edoardo. Se os paralelos com Visconti foram buscados no detalhamento com que descreve os rituais familiares, trata-se de algo longe de equivalente, já que aqui, ao menos na versão ao qual foi reduzido (sua metragem original era de nada menos que 210 minutos) a presença desses rituais se encontra longe da forma quase fastidiosa com que Visconti os descrevia em O Leopardo (1963), como evidentemente se trata  de uma narrativa passada na contemporaneidade em que foi produzida e centrada numa família eminentemente burguesa e não na aristocracia decadente como naquele. As tramas paralelas tampouco conseguem apresentar alguma substância maior ou organicidade com o restante da narrativa, como é o caso do episódio envolvendo a dubiedade sexual de Betta. Quando se afasta da chave contida o filme derrapa em um tom patético que beira o involuntariamente cômico. Referências epidérmicas a obra de Visconti surgem ocasionalmente, seja no personagem de Tancredi, mesmo do jovem vivido por Delon em O Leopardo,  na presença de Berenson – atriz de Morte em Veneza - como coadjuvante, ou em locações que haviam sido celebrizadas em filmes seus, como é o caso da Catedral de Milão em Rocco e seus Irmãos (1960), sendo que nesse último quesito cumpre destacar que aqui tais locações, como outras de idêntico apelo, parecem surgir apenas como um elemento  “cartão postal” a mais na apresentação desse mundo pretensamente charmoso. First Sun/Mikado Film/RAI Cinema para Mikado Film. 120 minutos.