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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Meu Caro Diário, 17/04/2004

Prometi a mim mesmo contar cada dia em São Paulo e não me deixar levar...mas é exatamente isso o que deixei de fazer logo, logo. De algum modo, percebo que consigo me adaptar relativamente fácil em qualquer ambiente. Isso será bom ou ruim? O fato é que nunca morei só, isso ainda é para mim um mito. São Paulo hoje me pareceu terrivelmente provinciana. O mesmo provincianismo que pode ser acolhedor e nos fazer menos sofrido em locais que já se conhece, também pode ser o oposto. Uma necessidade de ir além, de transcender esse mundinho. (...) Assim, o texto para o jornal que havia pensado com tanta ansiedade na manhã de hoje, juntando cacos do que eu havia pensado nos últimos dias, poderia e pode ser grandemente comprometido.  Fui depois a feira do livro e me decepcionei um pouco. Esperava mais. Andei um bocado e comprei apenas dois livros. Um deles mais pelo aspecto plástico da edição que propriamente pelo conteúdo é o que trata das correspondências entre Lygia Clarke (sic) e Hélio Oiticica, porém andei folheando na volta e me pareceu bem interessante. Aliás, minha reflexão sobre o provinciano se ampara no número de caras conhecidas que andei encontrando ultimamente por São Paulo. Outro dia Cláudia Valença logo quando saí do metro Vila Madalena. Hoje algumas pessoas do movimento e Alessandra me descobriu “vagando” pelos espaços da feira. Quando esperava o ônibus para vir ao apartamento pensei que haveria uma relação de contenção/desmesura com relação ao dinheiro semelhante ao do sexo om momentos de vontade de gastar seguidos por períodos de completa contenção. (...) A aula do Rubens Machado Jr. ontem foi bem animadora, a meu ver a mais interessante, até mesmo porque me lançou luzes sobre a reflexão metodológica que eu não deixei de por no papel logo depois à noite alta. Por outro lado, quando ele se referiu ao processo de reflexão sobre um “material virgem” de interpretações como um verdadeiro desnudamento, no qual você acabava se sentindo igualmente muito exposto, não pude deixar de refletir na possibilidade de que esse mal-estar se deva a uma certa tensão (...) Como eu, ele ficou um bom período da aula falando obliquamente, sem encarar nenhum de nós. Posteriormente peguei um ônibus no qual vivi meu pior momento aqui em São Paulo. Subiu um bruta-montes completamente drogado que ficou atazanando boa parte dos passageiros e o transito estava mais parado do que nunca.


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