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sábado, 15 de novembro de 2014

Filme do Dia: Sombras de Julho (1995), Marco Altberg



Sombras de Julho (Brasil, 1995). Direção: Marco Altberg. Rot. Adatpado: Julia Altberg, baseado em romance de Carlos Herculano Lopes. Fotografia: Cezar Moraes. Música: David Tygel. Dir. de arte: William Alves, José Joaquim Sales & Luís Castro Guimarães. Com: Ângelo Antonio, Othon Bastos, Lú Mendonça, Rubens Caribe, Marly Bueno, Ivan de Almeida, Martha Overbeck, Roberto Frota, Marcela Altberg, Nélson Xavier.
No interior de Minas, Jaime (Antonio), filho de um proprietário de terras temido da região, Joel (Bastos), é pressionado pelo pai a assassinar um colega de infância, Fábio (Caribé), que questiona o domínio de terras perpetrado por Joel. Sensível, Jaime passa a se atormentar após o crime. A mãe de Fábio, Helena (Mendonça) é internada em um hospital psiquiátrico, acreditando que o filho vai voltar a qualquer momento. O pai se desespera com o veredito judicial que absolve pai e filho, condenando um dos empregados da fazenda. A única testemunha que havia reconhecido os fatos é afastada e passa a morar longe do local. Jaime parte e só volta para o julgamento em que, pelo acordo feito, um empregado assume a culpa, e é posteriormente  assassinado. Joel suicida-se. Jaime se casa. Após um período recuperada do choque, Helena volta a ter problemas psiquiátricos. Internada, foge e assassina Jaime.
Ainda que possua alguns traços em comum com Abril Despedaçado, com as novas gerações lidando de forma diferenciada e procurando quebrar o ciclo de violência enraizado pela tradição, esse filme é um canhestro e pífio exercício de dramaturgia, sofrível em termos de interpretação do elenco como um todo, involuntariamente patético em sua interminável sucessão de clichês narrativos e estilísticos, infeliz na utilização da trilha sonora e da voz off. Não existe densidade, mínima que seja, que vá além do achatamento de perfis tipificados dos personagens e, ao mesmo tempo, soçobram pérolas como a seqüência do assassinato imediatamente seguida por uma representação do remorso do protagonista evocada em preto e branco. Ou ainda o óbvio monólogo interior que segue o suicídio de Joel.  A falta de sutileza na expressão das motivações e sentimentos dos personagens chega a ser pueril como quando, entre inúmeros exemplos, Jaime recorda da falta de sensibilidade de seu pai na infância. Ou ainda quando Helena sabe da morte do filho. Visualmente o filme é igualmente anódino e despido de qualquer centelha de imaginação. Seu tom abertamente novelesco, ainda que sugira aproximações com a teledramaturgia, carece do senso rítmico dessa, e mais se aproxima dos riscos que sofre as más adaptações da literatura. Outro exemplo de péssimo gosto é o de uma personagem louca que trafega entre as cenas à guisa de comentarista dos eventos narrados, insuportavelmente pouco crível quando comparada, por exemplo, ao cantador de Deus e o Diabo na Terra do Sol. Banco Nacional/M.Altberg Cinema & Vídeo/TV Cultura para Riofilmes. 90 minutos.


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