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sábado, 8 de novembro de 2014

Filme do Dia: 3 Bad Men (1926), John Ford

3 Bad Men (EUA, 1926). Direção: John Ford. Rot. Adaptado: John Stone, a partir do romance de Herman Whitaker. Fotografia: George Schneiderman. Figurinos: Sam Benson. Com: George O’Brien, Olive Borden, Lou Tellegen, Tom Santschi, J. Farrell MacDonald, Frank Campeau, Priscilla Bonner, Otis Harlan, Jay Hunt, Alec B. Francis.
Em 1876, o velho Nat Lucas (Hunt), acredita ter encontrado ouro em território Sioux, provocando uma grande corrida em busca de ouro e terras.  No meio da corrida, Lee Carlton (Borden) e seu pai ficam para trás, porque sua carroça quebrou a roda. Dan O’Malley (O’Brien) os auxilia e flerta com Lee. Depois de se despedirem de Dan, a dupla enfrenta um grupo de ladrões de cavalos, com a cumplicidade do corrupto xerife Layne Hunter (Tellegen). O pai de Lee é morto, e ela e os cavalos somente são salvos porque um trio de ladrões de cavalos, liderados por “Bull” Stanley (Santschi) intervém. Juntamente com os parceiros bêbados “Spade” Allen (Campeau) e Mike Costigan (MacDonald), promete tomar conta da recém-orfã. Preocupado com o futuro de Lee, Stanley decide que ele deve arrumar um marido para ela, e acha que esse deve ser Dan O’ Maley, que encontra acidentalmente. A cobiça do ouro leva ao assasinato de Nat Lucas por um dos homens do xerife e a ordem para que a igreja do Pastor Calvin (Francis), fosse incendiada. No conflito, a ex-amante do xerife, e irmã de Bull Stanley, Millie (Bonner), enganada pelo xerife e passando a viver em um prostíbulo, é  morta. Sua morte faz com que o assassinato de Layne Hunter se torne questão de honra para o irmão. Ele sabe, no entanto, que se trata de uma missão suicida, portanto deixa Dan e Lee fora de perigo.
Surpreendente por vários motivos, incluindo a impressionante panorâmica que descreve a imensidão de espaço e a quantidade de pioneiros postados para o sinal oficial do governo para ocuparem a nova terra, talvez o que ainda mais chame a atenção nesse filme é o complexo retrato social de uma comunidade do Velho Oeste traçado por Ford, incluindo um relativamente denso perfil psicológico de seu Bull Stanley, que antecipa boa parte dos vingadores dos filmes sonoros do realizador, incluindo o mais célebre deles, Ethan Hawke em Rastros de Ódio (1956). É mais do que evidente que a personagem mais simpática a Ford é Stanley, que parece possuído de uma consciência retrospectiva de que deve morrer para ceder o solo a personagens não tão viris quanto ele, como é o caso do galã vivido por O’Brien, fundamentais para uma geração seguinte que já vai se guiar por um perfil mais “civilizado” e menos “selvagem”. Nem tampouco existe dúvida de que ele é um personagem mais forte para a heroína e quase uma figura paterna que sucede instantaneamente ao próprio pai, porém numa relação tampouco despida de desejo. Outros personagens recorrentes na longa filmografia dedicada ao gênero pelo realizador também surgem aqui, como o do “chapa” mais velho e extremamente dedicado ao herói, aqui representado em dose dupla, pelos bêbados companheiros de Bull, que também se lançam como ele, e em completa solidariedade, à missão suicida. A “remissão” dos três, sobretudo de Bull, típico herói fordiano, longe da domesticação da vida familiar e eterno errante, dar-se-á sob o nome do filho do casal que, mesmo vivendo em um momento bastante distinto, é apresentado ainda bebê ao lado de uma arma, selando de vez sua identificação com a honra de quem lhe legou o nome.  Talvez quem roube a cena, mais que todos, seja Tellegen, vivendo um vilão de poderes quase sobrenaturais, sobretudo quando invade repentinamente o quarto onde jaz a agonizante Millie. De modo curioso, provavelmente por se tratar de adaptação baseada em literatura, os índios aqui são poupados tanto de terem sua terra invadida como de invadirem o acampamento ou a cidade dos brancos. Destaque para os impressionantes efeitos envolvendo a quebra de veículos no momento da desesperada corrida para conquistar terra e para uma nota cômica, a do bebê que é esquecido em meio a poeira e dezenas de cavalos e carroções, parecendo antecipar em muitas décadas o humor anárquico dos Irmãos Coen. A bela e talentosa Olive Borden, no auge de sua carreira, teria dificuldades após a chegada do som e morreria alcoólatra e pobre em um abrigo. Há uma versão com mais de 120 minutos. Fox Film Corp. 92 minutos. 

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