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sábado, 8 de fevereiro de 2014

Filme do Dia: Titanic (1997), James Cameron

Titanic ( EUA, 1997) Direção: James Cameron. Rot.Original: James Cameron. Fotografia: Russell Carpenter. Música: James Horner. Montagem: Conrad Buff IV, James Cameron & Richard  A. Harris. Com: Leonardo di Caprio, Kate Winslet, Bill Paxton, Gloria Stuart, Jonathan Hyde, Frances Fisher, David Warner.
Uma equipe de mergulhadores se aventura no fundo do mar procurando explorar os destroços do Titanic. O objetivo principal é encontrar um colar de diamantes avaliado em milhões. Ao saber da notícia, Rose DeWitt Bukater (Stuart), uma das últimas sobreviventes do naufrágio avisa que tem informações importantes a revelar e chega de helicóptero, escoltada por sua neta. Rose inicia sua história. Jack Dawson (di Caprio), consegue de última hora embarcar com o amigo Fabrizio, graças a vitória em um jogo de cartas, com pretensão de “fazer a América”. Ao mesmo tempo, a refinada e entediada Rose (Winslet) embarca com sua mãe Ruth (Fisher). Embora circulem no meio aristocrático com grande desenvoltura, sua situação finançeira não é das melhores, sendo que o futuro casamento com o milionário Cal Hockley (Zane), a esperança de melhores dias. Profundamente entediada com a pompa e “falta de vida” em que se vê rodeada por todos os lados, Rose acaba tentando o suicídio, sendo demovida de última hora por Dawson. Uma atração se inicia entre ambos, que apenas aumenta quando Rose conhece os desenhos de Dawson e desce com este até a segunda classe do navio, onde também demonstra saber como participar do festivo ambiente que reúne a maioria das pessoas em situação quase indigente. Para Rose, no entanto, eles certamente possuem mais vida que os aristocratas de seu meio. Enviando um espião para seguí-la, Hockley descobre seu crescente envolvimento com Dawson, fazendo uma cena de ciúmes. Certo dia, porém, após ter dessistido de Dawson por pressões de sua mãe e Hockley, Rose decide que deve levar em frente a aventura, encontrando-se com Dawson, que a desenha nua com o diamante presenteado por Hockley, fugindo dos homens contratados por Hockley e finalmente vivendo sua primeira e última noite de amor com Dawson em um carro no porão do navio. Quando ainda se divertem na brincadeira de gato-e-rato acabam por surpreender o momento da colisão do navio com um iceberg. Ao mesmo tempo, Hockley acusa Dawson de lhe ter roubado o diamante. Rose, após embarcar em um bote salva-vidas  de última hora, desiste e volta para ficar junto de Dawson. Este acaba sendo algemado em um dos compartimentos inferiores do navio. Rose, desesperada, busca de toda forma libertá-lo, enquanto o nível da água já se torna crítico. Juntos, vivem momentos de terror, quando o navio se parte em dois e eles boiam na água, onde Dawson morre congelado. Rose, já quase inconsciente, consegue ser salva. Após contar a história e jogar o diamante de volta ao mar, Rose morre, não sem antes sonhar reencontrando-se com Dawson, tendo todos os passageiros e tripulantes do navio como público.
Um dos filmes mais caros e de maior bilheteria da história do cinema, Titanic consegue ir um pouco além da receita habitual dos filmes-catastrófe, que tiveram seu boom na Hollywood dos anos 70, unindo a ela uma banal história de amor no estilo Romeu-e-Julieta e uma boa dose de suspense. Porém o impressionante mesmo fica na metade final do filme, onde com efeitos de última geração, é reconstituída  a destruição do navio no melhor estilo Cecil B. DeMille adaptado para os anos 90. Quanto ao realismo que contribui para uma espetacularização da morte ( e do próprio filme) como poucas vezes se viu no cinema só o tempo dirá seus efeitos (sem intenção de trocadilho) - em Os Dez Mandamentos (1956) de DeMille certamente já soam grandemente datados -  o que não se pode dizer da narrativa, datada já de hoje como não indo muito além do melodrama básico. Ainda que os  pequenos truques dramáticos nada originais possam garantir o interesse da longa duração do filme - talvez uma de suas virtudes, foi a de um ritmo mais compassado que a maioria das produções do gênero, sem chegar a ser cansativo - e até certos momentos belos em termos dramatúrgicos, como quando Rose (na melhor atuação do filme na pele da veterana dos filmes de John Ford, Gloria Stuart) acaba de contar sua história e segue-se um fade-out que também deveria ter correspondido ao final do filme - porém que, no final das contas, acabam apenas reafirmando que profissionalismo e bom acabamento tecnológico nunca vão além do razoável entretenimento efêmero. A personagem de Rose, calcada no que tudo que uma jovem mulher moderna gostaria de pensar ou agir, assim como o sex-appeal e o carisma do não mais que mediano di Caprio (que por sinal, está melhor no mal-sucedido nas bilheterias Eclipse de uma Paixão) foram feitos sob medida para a empatia do público feminino. O rídiculo e dispensável happy-end do sonho de Rose chega a ser risível, assim como seu maquiavélico impulso de jogar o diamante de volta ao mar, ao invés de legá-lo a sua neta. Cameron, o que é muito pouco usual em produções do gênero, também foi o responsável pelo roteiro e co-responsável pela montagem. Fox/Paramount. 195 minutos.


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