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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Filme do Dia: O Céu de Suely (2006), Karim Ainouz

O Céu de Suely (Brasil/França/Alemanha, 2006). Direção: Karim Ainouz. Rot. Original: Karim Ainouz, Felipe Bragança & Maurício Zacharias. Fotografia: Walter Carvalho. Música: Berna Ceppas, Kamal Kassin & João Nabuco. Montagem: Tina Baz & Isabela Monteiro de Castro. Dir. de arte: Marcos Pedroso. Com: Hermila Guedes, Maria Menezes, Zezita Matos, João Miguel, Georgina Castro, Cláudio Jaborandy, Marcélia Cartaxo, Flávio Bauraqui, Matheus Vieira.
          Hermila (Guedes) se descobre jovem mãe solteira após retornar de São Paulo para o sertão do Ceará, na cidade de Iguatu, com o filho pequeno Matheus (Vieira). Sem maiores perspectivas de vida e reagindo de maneira ambígua aos galanteios de seu ex-namorado, o mototaxista João (João Miguel) e se tornando cada vez mais próxima da prostituta Georgina (Castro), ela decide rifar a si própria para conseguir dinheiro e partir para bem longe. Logo, todos ficam sabendo e a avó de Hermila, Zezita (Matos), a expulsa de casa. Sua tia, Maria (Menezes), ainda lhe arranja um programa para que complete o dinheiro da viagem. Hermila, reconciliada com a avó, parte.
     O segundo longa dirigido por Ainouz, longe do mesmo fôlego de Madame Satã,acaba ficando entre um naturalismo centrado em afetos, ilusões e decepções de personagens menores como o de Cidade Baixa e um desprezo por eventos narrativos mais afeitos ao cinema de gênero, tal como em Cinema, Aspirinas e Urubus (ambas produções das quais foi co-roteirista). Ainda que seu tom poético e o carinho que traça os pequenos atos de sua protagonista sugiram, sem dúvida, uma aproximação maior com o último, o filme por vezes acaba igualmente flertando com um sensacionalismo que possui como maior fonte, as emoções em estado bruto de seus personagens pouco lapidados, tal como no filme de Sérgio Machado. O resultado final, soa mais efetivo em uma visada retrospectiva do que durante seu imediato transcorrer, algo que se deve em grande parte ao afinado trabalho do elenco. Seu modo de traduzir aspectos da cultura regional e local se afastam tanto da exaltação dos mitos da cultura popular na filmografia de Rosemberg Cariry quanto da perspectiva extremamente subjetiva e anti-naturalista de um cinema mais autoral quanto o de José Araújo, dois outros realizadores cearenses. Celluloid Dreams/Fado Filmes/Shotgun Pictures/Videofilmes. 90 minutos.

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