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domingo, 16 de fevereiro de 2014

Filme do Dia: Ensaio de Orquestra (1978), Federico Fellini

Ensaio de Orquestra (Prova d'orchestra, Itália/Alemanha, 1979). Direção: Federico Fellini. Rot. Original: Federico Fellini & Brunello Rondi, baseado em argumento de Fellini. Fotografia: Guisseppe Rottunno. Música: Nino Rota. Montagem: Ruggero Mastroianni. Dir. de arte: Dante Ferretti. Figurinos: Gabriella Pescucci. Com: Balduin Baas, Clara Colosimo, Elizabeth Labi, Umberto Zuanelli, Ronaldo Baracchi, Ferdinando Villella, Giovanni Javarone, David Maunsell, Andy Miller, Sibyl Mostert, Franco Mazzieri, Daniele Pagani, Cesare Martignon, Claudio Ciocci
     Orquestra italiana recebe uma visita da televisão e, diante das câmeras, ocorrem desde depoimentos dos músicos defendendo seus instrumentos até uma tensão dos mesmos com um maestro (Bass), que não consegue impor sua autoridade. Entusiasmados com os direitos cada vez maiores e a vigilância atenta dos sindicatos, os músicos acabam se revoltando e realizando um verdadeiro motim contra o maestro, que assiste tudo passivamente. Enquanto uma facção procura impor um metrônomo gigante para substituir o regente outra, mais radical, prefere que os próprios músicos é que passem a se auto-reger e compor. Ao final, após os alicerces do prédio em que ensaiam se verem constantemente comprometidos, uma demolição parcial provoca uma reviravolta e tristeza por ter vitimado a harpista e o maestro, podendo agora exercer livremente seu autoritarismo, volta a comandar a orquestra.
      Esse que é o melhor dos filmes dos últimos dez anos da carreira do cineasta, realiza uma irônica e bem-humorada investida em que não escapam nem os ideais libertários do Maio de 68 associados a um estupefaciente protecionismo social, nem a sua contrapartida, o fascismo autoritário da imagem final do regente (por sinal semelhante a Wagner, e falando em alemão.) Alguns dos melhores momentos se devem a caracterização propositalmente caricata dos atores, sempre olhando diretamente para a câmera (fictício interventor televisivo) como a pianista de riso prolongado, a harpista que transfere todo o sentido de uma vida solitária para o seu instrumento, o trompetista que havia arrancado elogios de Toscanini e o servil copista que não deixa de exclamar sua insatisfação pelos novos costumes, desregrados e sem a polidez de antigamente. Com hilariantes diálogos e uma magistral trilha musica de Rota (em sua última parceria com Fellini, com quem colaborou em mais de dez filmes) o filme se sustenta sem que seja necessário sair dos limites da sala de concerto e do camarim do maestro. RAI/Daimo Cinematografica/Albatros produktion. 70 minutos.


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