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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Filme do Dia: Amor Profundo (2011), Terence Davies

Amor Profundo (The Deep Blue Sea, Reino Unido/EUA, 2011). Direção: Terence Davies. Rot. Adaptado: Terence Davies, a partir de uma peça de Terence Rattigan. Fotografia: Florian Hoffmeister. Montagem: David Charap. Dir. de arte: James Merifield, David Hindle & Sarah Pasquali. Cenografia: Debbie Wilson. Figurinos: Ruth Myers. Com: Rachel Weisz, Tom Hiddleston, Simon Russell Beale, Ann Mitchell, Barbara Jefford, Jolyon Coy, Karl Johnson, Oliver Ford Davies.
Segunda Guerra Mundial. Hester (Weisz) abandona o casamento com o bem situado socialmente juiz, Sir William Collyer (Beale) para viver uma tórrida paixão com um piloto da Força Aérea, Freddie Page (Hiddleston). A relação entre ambos é sempre marcada pelo tom indignado, ressentido e violento de Page. Mesmo com as constantes súplicas do ex-marido para retornar, Hester tenta o suicídio, mas mantém os sentimentos pelo amante. Com o final da guerra, a relação entre ambos entra em declínio, com Freddie cada vez menos socialmente adaptado. Quando surge uma possibilidade de trabalho e aventura no Rio de Janeiro, ele decide que é hora de partir e avisa no mesmo dia para Hester.
Talvez o que torne esse filme de Davies mais interessante, seja a absoluta recusa de atualizar sua mais que convencional relação de submissão feminina e quase indiferença masculina dos dias da peça de Rattigan aos dias em que o filme veio a ser produzido. E, agindo assim, tudo parece ainda mais afinado com a sua habitual direção de arte, fotografia e iluminação características, repletas de nostalgia e com direito às canções, cantadas coletivamente em pubs e estações de metrô, a singelo meio passo entre a empostação absoluta do musical e a mais realista discrição. Certamente não se deve esperar algo particularmente original nem com a pungência somente conseguida de todo nos filmes de matriz fortemente autobiográfica do realizador (A Trilogia de Terence Davies, Vozes Distantes), mas o habitual esmero na direção de atores e na reconstituição da atmosfera de uma época faz com que o envolvimento com os personagens se torne quase inevitável. Ao final, tal como no episódio mais tocante de sua trilogia, Children (1976), observa-se a câmera se distanciar dos personagens, demarcando-os dentro de seu cenário e, ao mesmo tempo, intensificando a situação de dor em contraste com as ações cotidianas vividas pelos que se encontram nos arredores, alguns deles bem próximos fisicamente da protagonista. Talvez a utilização do Concerto para Violino e Orquestra, Opus 14, de Samuel Barber seja demasiado enfático e funcione de forma menos orgânica que as canções da época que habitualmente povoam seus filmes – aqui basicamente restritas aos momentos diegéticos referidos. Uma versão para as telas da peça havia sido produzida pouco depois de sua estreia teatral, dirigida por Anatole Litvak, com Vivien Leigh e Kenneth More nos papéis principais. Em pouco tempo, a dramaturgia de Rattigan cairia do gosto com a explosão de John Osborne e de seus angry young men, que também dominariam as telas cinematográficas inglesas a partir do final dos anos 50. Camberwell-Fly Films/Film4/UK Film Council/Lipsync Prod./Protagonist Pictures/Fulcrum Media Services/Artificial Eye para Music Box Films. 98 minutos.


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