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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Filme do Dia: Sapatinhos Vermelhos (1948), Michael Powell & Emeric Pressburger

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Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes, Reino Unido, 1948). Direção: Michael Powell & Emeric Pressburger. Rot. Adaptado: Michael Powell & Emeric Pressburger, baseado no conto de Hans Christian Andersen. Fotografia: Jack Cardiff. Música: Brian Easdale. Montagem: Reginald Mills. Dir. de arte: Hein Heckroth. Cenografia: Arthur Lawson. Figurinos: Carven, Dorothy Edwards & Hein Heckroth. Com: Anton Walbrook, Moira Sharer, Marius Goring, Robert Helpmann, Léonide Massine, Albert Basserman, Ludmila Tchérina, Esmond Knight.
O diretor de bale Boris Lermontov (Walbrook) acaba apostando nos jovens talentos da bailarina Victoria Page (Sharer) e do compositor Julian Craster (Goring) na sua adaptação do conto de Hans Christian Andersen. A aclamação conquistada com o balé “Sapatinhos Vermelhos” acaba levando com que todo o repertório da companhia seja voltado para Victoria, sendo dispensada a antes primeira bailarina, Irina Boronskaja (Tchérina), que decidira se casar. Cuidando de todos os aspectos da carreira de Victoria, Boris se sente profundamente magoado quando descobre que seu convite para jantar com Victoria não pode se efetivar devido ela se encontrar nos braços de Julian. Inicia-se uma perseguição à dupla que acaba fazendo com que se afastem da companhia e se casem. Boris vai atrás outra vez de Irina, mas nunca esquece o brilho de Victoria, nem tampouco ela esquece os melhores momentos de sua carreira. Lermontov a reencontra e faz com que aceite o papel principal de uma nova montagem de “Sapatinhos Vermelhos”. No dia de sua estréia em Paris, no entanto, Julian, que abandonara a estréia de sua ópera em Londres para vir ao encontro de Victoria a pressiona para abandonar o palco alguns minutos antes da estréia do balé, enquanto Lermontov afirma que se ela for embora nunca mais a quer vê-la. Dividida entre o amor à dança e Julian, Victoria acaba escolhendo uma terceira opção.
Esse, que é um dos retratos mais tocantes da contraposição entre a arte e a vida pessoal que o cinema já legou, incluindo Bergman e Truffaut, beneficia-se sobretudo de sua excelente direção de atores, das impecáveis fotografia e cenografia com os habituais tons exuberantes que se tornaram marca registrada da dupla Pressburger & Powell. O personagem de longe mais intrigante e complexo de todos é o de Lermentov, própria metáfora do artista que apenas consegue sublimar seu afeto por Victoria através da criação artística. Metáfora bastante próxima do próprio universo do cinema, sendo Lermentov talvez alter-ego do próprio Powell e Sharer, iniciante como a protagonista da fábula. E o filme acaba, de modo maduro, não sendo enfático em defender uma ou outra opção. A própria morte de Victoria, ainda que sugerida ao pé da letra como acidental e guiada pelos sapatinhos mágicos – coroando a reprodução da própria narrativa de Andersen no enredo do filme – é um evidente suicídio e referência não menos evidente a Madame Bovary. É interessante o tratamento dado a longa seqüência que reproduz o balé no filme. Não se procura reproduzir realisticamente o mesmo, antes acrescentar a graça desse um “toque mágico”, a la Méliès, de cinema. Ou seja, trucagens vez por outra são acrescentadas, fazendo com que, por exemplo, Victoria tenha os sapatos automaticamente incorporados aos seus pés quando os vê. Ou ainda, através de sobreposições, que ondas se quebrem aos pés do palco em que Victoria se apresenta. Foi considerado pelos próprios criadores do technicolor como o melhor exemplo do uso de sua tecnologia pelo cinema. Independent Producers/The Archers para Eagle-Lion Distributors. 133 minutos.


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