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sábado, 14 de novembro de 2015

Filme do Dia: Parsifal (1982), Hans-Jürgen Syberberg


Parsifal (Alemanha Ocidental, 1982). Direção: Hans-Jürgen Syberberg. Rot. Adaptado: baseado na ópera de Richard Wagner. Fotografia: Igor Luther. Montagem: Jutta Brandtstaedter & Marianne Fehrenberg. Cenografia: Werner Achmann. Figurinos: Veronicka Dorn & Hella Wolter.  Com: Armin Jordan, Robert Lloyd, Martin Sperr, Michael Kutter, Edith Clever, Karin Krick, David Luther, Rudolph Gabler.
Por mais abusiva que possa ser essa adaptação da última ópera escrita por Wagner (tendo como matriz o mito do Cálice Sagrado na corte do Rei Arthur), em termos de metragem, principalmente para o espectador não familiarizado com o gênero – e talvez até mesmo para os conhecedores – o filme de Syberberg ganha uma dimensão quase hipnótica por seus suntuosos cenários e por sua impecável mise-en-scene. Quanto à última há um esmero raro com as cores e a iluminação na composição da imagem, assim como um magnífico trabalho de câmera. Suas cenas, por vezes monumentais, são evocativas dos antigos filmes alemães, tais como Os Nibelungos (1924) ou a A Morte Cansada (1921), ambos de Fritz Lang, por sua vez provavelmente influenciados, até certo ponto, pelas próprias encenações da obra de Wagner. Não faltam aos cenários, muitas vezes auxiliados por projeções de fundo de impressionante efeito visual, ironias como a presença constante da referência a Marx e Nietzsche, a certo momento ao lado de um gigantesco falo de pedra destroçado. Ou ainda a peça central da cenografia, uma gigantesca máscara mortuária de Wagner, que se parte ao meio ao final. Entre as muitas soluções visuais de efetiva beleza se encontram a seqüência final. Sua aproximação dos mitos somada a uma grande acuidade na mise-en-scene, que faz uso de vários recursos, inclusive de fantoches (que ganharam maior destaque em seu Hitler - um Filme da Alemanha) sugerem a possibilidade de um paralelo com Paradjanov, inclusive na sua representação masculina/feminina de Parsifal, tal como o poeta Sayat Nova em A Cor da Romã (1969). Artificial Eye/Société des Etablissements L. Gaumont/TMS Film GmbH. 255 minutos.


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