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domingo, 1 de novembro de 2015

Filme do Dia: Barry Lyndon (1975), Stanley Kubrick



Barry Lyndon (Barry Lyndon, Reino Unido, 1975). Direção: Stanley Kubrick. Rot. Adaptado: Stanley Kubrick, baseado no romance de William Makepeace Thackeray. Fotografia: John Alcott. Música: Leonard Rosenman & The Chieftains. Montagem: Tony Lawson. Dir. de arte: Ken Adam & Roy Walker. Figurinos: Milena Canonero & Ulla-Britt Söderlund. Com: Ryan O´Neal, Marisa Berenson, Patrick Magee, Hardy Krüger, Murray Melvin, Marie Kean, Steven Berkoff, Gay Hamilton, Diana Körner, Leonard Rossiter, Leon Vitali, David Morley, Arthur O´Sullivan, Godfrey Quigley, Frank Middlemass.
         No século XVIII, Redmond Barry (O´Neal), um irlandês de família quase sem posses, dificulta os planos de sua família para o casamento de sua prima Nora (Hamilton) com o oficial inglês de posses John Quinn (Rossiter). Bate-se em duelo com Quinn e após a morte desse foge para Dublin, onde é vítima de assalto e tem que se refugiar no Exército. Após um período de vicissitudes, culminando com a morte do amigo, Capitão Grogan (Quigley), que lhe havia revelado que sua prima casara com com Quinn, já que as balas do duelo eram de estopa, Barry deserta. É descoberto por um oficial prussiano, Capitão Potzdorf (Krüger) que sugere que ele torne-se espião do seu compatriota, o Cavalheiro de Balibari (Magee). Porém, Barry se emociona frente a um compatriota e conta todo o plano, tornando-se agente duplo. Homem de confiança de Balibari, Barry passa a freqüentar a corte européia, continuando a ajudar o amigo nas trapaças do jogo. Cansado da vida de pobre e embrutecido pelas mais diversas experiências, decide casar com uma mulher rica. Sua vítima é a Condessa de Lyndon (Berenson), casada com o agonizante Lord Reginald Lyndon (Middlemass). Casados após um ano da morte de Lord Lyndon, Barry adota o sobrenome da esposa. Conquista a fúria eterna do filho da Condessa, Lord Bullingdon (Vitali) e dilapida quase todo o patrimônio dela, além de traí-la, inclusive com suas criadas. Após flagrar o seu querido filho, Bryan (Morley) sendo vítima dos maus tratos de Lord Bullingdon, Barry declara guerra explícita ao enteado, que culmina no seu espancamento público, que faz com que toda a aristocracia local volte às costas para ele. Seu golpe de misericórdia, em meio aos freqüentes credores, é a morte do filho Bryan, que o leva ao desespero e alcoolismo, e a mulher a refugiar-se na religião de uma forma quase fanática, auxiliada pelo Reverendo Samuel Runt (Melvin). Sua mãe (Kean) torna-se a figura de maior poder, despedindo o Reverendo e tomando conta de seus negócios. Lord Bullingdon, no entanto, retorna e o incita a um duelo, onde fere-o gravamente na perna, que tem que ser amputada. Aceita, por fim,  o convite de Bullingdon para retirar-se em exílio para a Irlanda, com uma pensão vitalícia a ser enviada por sua ex-mulher.
        Esse drama de época marcado por uma elegância visual ímpar na história do cinema, tendo como um de seus maiores trunfos os efeitos de iluminação, é uma das obras mais subestimadas de Kubrick. Ainda que possua alguns excessos na sua narrativa, na sua maior parte a expressiva metragem do filme justifica-se pelo magnífico senso de ritmo que, apoiado pela irônica e por vezes antecipadora narração e por uma composição de imagem constantemente estarrecedora em sua reprodução do universo pictórico de alguns artistas do período; assim como o recorrente motivo musical (o trio para piano de Schubert, opus 100), auxiliando a compor o efeito hipnótico que acompanha um enredo grandemente convencional. Sua espirituosa observação do universo em questão transcende os habituais filmes históricos, ao lhe carregar de um sentido plenamente atemporal no que diz respeito aos conflitos e paixões humanas, como a engenhosa mensagem final apenas acentua – “ricos ou pobres, hoje todos são iguais”. No elenco, onde o cineasta buscou o máximo de contenção dramáticas nas interpretações, fato inusitado para uma comédia de costumes, destacam-se menos os protagonistas, que alguns coadjuvantes como Murray Melvin e Marie Kean. Hawk Films/Peregrine. 185 minutos.


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