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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Filme do Dia: A Casa Sinistra (1932), James Whale

A Casa Sinistra (The Old Dark House, EUA, 1932). Direção: James Whale. Rot. Adaptado: Benn W. Levy & R.C. Sheriff, baseado no romance Benighted, de J.B. Priestly. Fotografia: Arthur Edeson. Música: David Broekman. Montagem: Clarence Koelster. Cenografia: Charles D. Hall. Com: Boris Karloff, Melvyn Douglas, Charles Laughton, Lilian Bond, Ernest Thesiger, Eva Moore, Raymond Massey, Gloria Stuart, Elspeth Dudgeon, Brember Wills.
Um grupo de pessoas se vê forçado a pedir hospedagem em uma casa sinistra em meio a uma forte tempestada que impediu a continuação de sua viagem, numa região remota do País de Gales. Eles são estranhamente recepcionados pelo mordomo mudo Morgan (Karloff) e pela quase surda Rebecca Femm (Moore), irmã do não menos excêntrico Horace (Thesiger). Fazem parte do grupo o milionário Sir William Porterhouse (Laughton) que vive um casamento de aparências com a corista Gladys Perkins (Bond), Roger Penderel (Douglas) e o casal Philip (Massey) e Margaret Waverton (Stuart). O grupo começa aos poucos a descobrir os riscos que se escondem na sinistra casa, com um alcoolizado Morgan e a descoberta do inválido Sir Roderick (Dudgeon) e de um filho que sempre é mantido trancado no quarto, Saul Femm (Wills), perigoso psicopata.
Filme do melhor – e breve – momento da carreira de Whale, onde toda a construção atmosférica que se tornará marca registrada de um gênero se torna aqui aliada de uma sutil ironia, que não apenas troça com o próprio gênero (de um modo bem mais oblíquo e talvez interessante que as releituras abertamente cômicas de décadas após como A Dança dos Vampiros ou O Jovem Frankenstein) como ainda faz menção explícita a sexualidade de um modo bastante ousado. Nesse último sentido, encontra-se tanto a bestialidade de Morgan atacando Margaret, releitura de uma seqüência semelhante de O Cão Andaluz, como a referência de um casamento de conveniência de Sir William, apenas para que “não pensem que se trata de um gay”, como adverte sua própria esposa, que afirme que eles não praticam nada além da amizade. Tampouco faltam momentos inspirados de uma atmosfera sombria construída sobretudo a partir de elementos relativamente simples como os diálogos completamente surreais entre Saul e Roger ou – e principalmente – a sucessão rápida de planos nos quais o riso “cacarejante” de Rebecca, assim como  a inversão de sua imagem em cantos opostos do quadro provoca um efeito bizarro. Ou ainda a utilização do estranho a partir de um deslocamento de gêneros – o personagem do pai solitário, com maquiagem carregada e relativamente bem cuidada, foi vivido por uma atriz, daí sua voz ser tão fina quanto a “de uma criança”, como acreditam os personagens antes de encontrá-lo. Foi refilmado, com o mesmo título original, por William Castle, em 1963. Os elementos cômicos se encontrarão mais evidentemente presentes em produções posteriores dirigidas por Whale, como A Noiva de Frankenstein. Destaque para a irônica nota inicial que afirma ser Karloff o mesmo que atuara como monstro em Frankenstein (1931), antecipando-se portanto a desfazer qualquer polêmica. Assim como o momento em que Laughton, em seu primeiro filme americano, canta Singin´ the Rain duas décadas antes da canção virar título do célebre musical de Stanley Donen. Foi dado como perdido por muitos anos. Universal Pictures. 72 minutos.


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