CONTRA O GOLPE CIVIL EM CURSO E A FAVOR DA DEMOCRACIA

domingo, 28 de dezembro de 2014

Filme do Dia: O Vale das Bonecas (1967), Mark Robson

O Vale das Bonecas (Valley of the Dolls, EUA, 1967). Direção: Mark Robson. Rot. Adaptado: Helen Deutsche, Dorothy Kingsley & Jacqueline Susann, baseado no romance homônimo de Susann. Fotografia: William H. Daniels. Música: John Williams. Montagem: Dorothy Spencer. Dir. de arte: Philip M. Jefferies, Richard Day & Jack Martin Smith. Cenografia: Raphael Bretton & Walter M. Scott. Figurinos: Travilla. Com: Barbara Parkins, Patty Duke, Paul Burke, Sharon Tate, Tony Scotti, Martin Milner, Charles Drake, Alexander Davion, Lee Grant, Susan Hayward.
        Três amigas tentam a sorte profissionalmente no mundo dos espetáculos e na vida afetiva. Anne Welles (Parkins) parte de sua província na Nova Inglaterra para Nova York e, como secretária, assusta-se com a crueldade do mundo dos espetáculos. Neely O´Hara (Duke), substituta da consagrada Helen Lawson (Hayward), consegue chamar a atenção da mídia quando possui a oportunidade de substituí-la e rapidamente se transforma em estrela. Jennifer North (Tate) torna-se a paixão a primeira vista do cantor Tony Polar (Scotti). Porém, enquanto Anne tem seu amante Lyon Burke (Burke), envolvido com O´Hara, essa se torna uma viciada em anfetaminas e bebida, chegando a ser internada em uma clínica para tratamento, após inúmeros relacionamentos mal sucedidos. Por fim, a bela, porém pouco talentosa Jennifer tem um romance com Tony interrompido por um acidente súbito que demonstra ser ele portador de uma grave doença degenerativa hereditária. Para sustentar seu caro tratamento torna-se atriz de filmes pornôs na França e, após retornar aos EUA, diante da situação de miséria econômica e conflito moral se suicida. O´Hara, aparentemente recuperada, volta a beber e é abandonada por Lyon. Esse procura retornar para Anne, propondo casamento, mas essa prefere permanecer só.
           Esse melodrama folhetinesco adaptado de um best seller de ocasião (a autora e co-roteirista também realiza uma ponta como jornalista) torna-se involuntariamente ridículo e datado em sua ânsia de provocar o choque, seja com os limites até então alcançados pela linguagem chula (bem melhor aproveitados em Quem Tem Medo de V. Woolf?) ou situações extremas. Porém sua pretensa acidez e incursão no submundo das drogas e da solidão modernas soam tão profundos quanto os folhetins femininos adolescentes, com um nível de empostação dramática mais próximo de um período anterior da dramaturgia cinematográfica norte-americana como Crepúsculo dos Deuses (a quem chega a aludir em uma seqüência), sem possuir a grandiosidade do mesmo. A estética do sofrimento feminino para consumo/identificação imediata com uma platéia pretensamente feminina é acentuado pelas canções de um kitsch tão horrendo quanto a própria produção visual do filme, recheado de efeitos ópticos que fazem alusão ao colorido universo psicodélico das drogas. Outro elemento que não ajuda é a apresentação meramente esquemática de situações sem que se perceba qualquer empatia maior pelos dramas de seus personagens, criando um distanciamento que quando conscientemente trabalhado, como em alguns dos melodramas de Fassbinder, tornou-se menos falha que valor. Como reflexão semelhante sobre o universo das modelos, o filme nacional contemporâneo a essa produção Bebel, Garota Propaganda, mesmo com suas limitações, é um retrato bem mais reflexivo e menos sensacionalista, apontando implicitamente para uma drama que tem implicações sociais mais complexas que os seus meros reflexos nas personalidades individuais parecem supor. 20th Century-Fox/Red Lion. 123 minutos.


Nenhum comentário:

Postar um comentário