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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Filme do Dia: Reis e Rainha (2004), Arnaud Desplechin

Reis e Rainha (Rois et Reine, França, 2004). Direção: Arnaud Desplechin. Rot. Original: Arnaud Desplechin & Roger Bohbot. Fotografia: Eric Gautier. Música: Grégoire Hetzel.  Montagem: Laurence Briaud. Dir. de arte: Dan Bevan. Figurinos: Nathalie Raoul. Com: Emmanuelle Devos, Matthieu Amalric, Maurice Garrel, Valentin Lelong, Magali Woch, Catherine Deneuve, Marie-Françoise Gonzalez, Joachin Salinger.
Nora (Devos) lida com a iminente morte do pai (Garrel), ao mesmo tempo em que se debate sobre quem ficará com seu filho, Elias (Lelong), que se relaciona bem com seu ex-amante, Ismaël (Amalric), atualmente internado involuntariamente em uma instituição psiquiátrica, mas não com seu novo pretendente a marido, um rico homem de negócios. Enquanto é atormentada pelo fantasma da morte do primeiro marido, que assassinou, também acaba tomando a decisão diminuir o sofrimento do pai, aplicando-lhe uma dose letal. Ismaël, por sua vez, livre do hospital, possui uma péssima recepção de seu ex-colega músico, membro de um quinteto de cordas do qual participara, decide buscar uma nova vida, demarcando seus sentimentos para com a jovem Arielle (Woch) e com o pequeno Elias . Nora, por sua vez, arranca as folhas do diário do pai, no qual ele demonstrava todo o seu rancor para com ela, e as queima sem que ninguém tome conhecimento, no dia que seu editor vem buscar os manuscritos.
Desplechin, habitualmente obcecado por famílias emocionalmente desestruturadas, lidando com a morte ou o estado terminal  de um de seus membros, tema igualmente de seu Um Conto de Natal (2008),infelizmente não incorpora aqui tal estranhamento na própria estrutura do filme, como fez no seu de longe mais interessante La Vie des Morts (1991), sua estréia como realizador. Aqui observa-se em paralelo as histórias de Ismaël e Nora, até que se entrelacem. Tudo com a habitual e aborrecida têmpera francesa para diálogos que pretendem expressar os sentimentos de seus personagens, assim como as pretensas “surpresas” que se adivinham sem muito esforço, como é o caso do relato do pai que desqualifica a filha, a identificando consigo próprio e a chamando de “monstro”. Por mais que o filme se foque nos dois personagens principais, existe um excesso de personagens secundários, dentre os quais muitos não fariam a menor falta caso fossem eliminados, como a psiquiatra vivida por Deneuve, assim como cenas que bem poderiam ser limadas, que não fariam qualquer falta a sua excessiva metragem, tais como a do assalto a loja do pai de Ismaël, ao qual o pai consegue reverter a situação, e a tentativa de inclusão de um primo órfão que mora com a família a bastante tempo, entre os herdeiros.  Sendo que no caso do assalto, ele soa até destoante do corpo do filme. Tão banal quanto muitos de seus diálogos é o uso abusivo das quase imperceptíveis jump cuts que o acompanham do início ao final e não menos desnecessários ou pouco efetivos são os momentos nos quais faz com que a personagem de Nora dialogue literalmente com o marido falecido, a partir do estado de semi-consciência no qual se encontra, velando pelo pai enfermo. Why Not Prod./France 2 Cinéma/Rhône-Alpes Cinéma para Bac Films. 150 minutos.

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