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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Filme do Dia: Prometeu...Banqueiro (1921), Marcel L'Herbier

Prometeu...Banqueiro (Prométhée...Banquier,França, 1921). Direção: Marcel L’Herbier. Rot. Adaptado: a partir da peça homônima de L’Herbier. Com: Gabriel Signoret, Ève Francis, Marcelle Pradot, Jaque Catelain, Philippe Hériat, Léon Mousinac, Louis Delluc.
Rico banqueiro e especulador consegue ganhar milhões com ouro, mas perde o grande amor de sua vida que, cansada da vida reclusa em sua “gaiola de luxo”, quer voltar a ser “livre e pobre”, fugindo com o homem que ama, subordinado do banqueiro. Esse, enquanto ainda assediado pelos homens que lhe trazem à boa nova, suicida-se.
Realizado já após o seu comentado longa Eldorado, no mesmo ano, esse curta praticamente pede uma comparação com o clássico Monopólio do Trigo (1909) dirigido por Griffith na Biograph. Por mais que o cinema realizado por realizadores como L’Herbier procure se afastar do romantismo escapista hollywoodiano e se pretenda socialmente crítico, em última instância acaba por voltar a legitimar uma abordagem melodramática do drama vivido por seu protagonista, tal como em O Monopólio do Trigo, ainda que em um outro grau de reflexão – enquanto naquele o especulador era vítima do próprio produto que lhe fizera ainda mais rico da noite para o dia, aqui se torna vítima da própria subjetividade aprisionada a uma escala de ganhos, em que o afeto se torna secundário e igualmente corrompido. Para enfatizar o aprisionamento de seu personagem ao que se espera de seu papel social, o filme o observa em mais de um momento, através de uma janela que o enquadra. A utilização de tais metáforas visuais algo óbvias talvez sejam bastante representativas da má acomodação em formato curto de uma tentativa de se elaborar uma atualização do mito que provavelmente precisaria de maior tempo para se tornar de fato digno de dramaticidade. Ao contrário daquele, igualmente, o filme não é exatamente inovador em seu uso da forma cinematográfica, mesmo fazendo uso de planos bastante curtos, por vezes de frações de segundo, ao menos se se tem em mente o que pouco depois virá a ser produzido pelos realizadores franceses de vanguarda. Ainda que o teatro fosse a iminência parda de boa parte dessa produção, que se queria puramente cinematográfica, e cujas influências musicais e pictóricas eram normalmente mais bem apreciadas, o filme não apenas se trata de uma adaptação teatral, como se refere a Ésquilo em seus créditos iniciais, de onde deriva seu próprio título (da obra Prometeu Acorrentado, tida por alguns como de sua autoria), sendo o elenco referido às suas vinculações ao universo do cinema e, principalmente, teatro.   15 minutos e 25 segundos.

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