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domingo, 21 de dezembro de 2014

Filme do Dia: Avalanche (1930), Arnold Fanck

Avalanche (Stürme über dem Mont Blanc, Alemanha, 1930). Direção: Arnold Fanck. Rot. Original: Arnold Fanck & Carl Mayer. Fotografia: Sepp Algeier, Richard Angst & Hans Schneeberger. Música: Paul Dessau. Montagem: Arnold Fanck. Dir. de arte: Leopold Blonder. Com: Leni Riefensthal, Sepp Rist, Ernst Udet, Mathias Wieman, Friedrich Kayßler, Alfred Beierle, Ernest Petersen, David Zogg.
A filha do metereologista Armstrong (Kayßler), Hella (Riefensthal) tenta salvar o amigo Hannes  (Rist), que se encontra em um posto avançado no Mont Blanc, da profunda nevasca que se abateu sobre a montanha. Sua única forma de comunicação  com ele é o código Morse e um amigo piloto (Udet), que faz vôos rasantes sobre a montanha.
Como em outros filmes de Fanck, conhecidos como “filmes de montanha”, por si um subgênero bastante popular na Alemanha de então, sendo que Riefensthal dirigiria sua própria contribuição ao gênero no ano seguinte, com A Luz Azul, a história em si parece menos importante que os efeitos impressionantes em sua monumentalidade das montanhas, geralmente circundadas por espessas camadas enevoadas ou compartilhando o céu com imagens aceleradas de nuvens. Fanck, de fato, pretende continuar seguindo uma estética ainda bastante vinculada a de seus filmes mudos, como o anterior O Inferno Branco de Pitz Palu, e ela parece ser determinante sobre os poucos diálogos precariamente sonorizados, que se encontram longe de possuírem um décimo de seu talento para suas composições pictóricas. Essas, por sinal, exaurem-se em si próprias quase como numa ode a beleza auto-referente. Talvez em nenhum outro sentido possa ser pensada seu longo prólogo, na qual Hella se diverte e prega peças nos seus amigos esquiadores – vale lembrar que ela é a única mulher num grupo exclusivamente masculino – em que a dimensão com que esses riscam a paisagem branca, acentuada por sua diminuta proporção é intensamente gráfica. De toda forma, o filme já não consegue invocar a mesma vitalidade presente no início do filme antecedente ou a mesma elaboração narrativa que de fato envolva o espectador com o drama em questão que se segue naquele, demonstrando um certo cansaço e mesmo repetição de cacoetes – como os vôos rasantes do mesmo Udet ao lado da majestosa montanha – que o tornam cansativo. Certamente a chegada de Hitler em meio as nuvens que Riefensthal apresentaria como imagens do prólogo de seu documentário O Triunfo da Vontade (1935) sobre um congresso nacional-socialista em Nuremberg, não passaria despercebida como uma evocação possível desses filmes. Existem versões mais abreviadas e longas, uma delas contando com 110 minutos. Aafa Film AG. 93 minutos.

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