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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Filme do Dia: As Aranhas (1919/20), Fritz Lang

As Aranhas (Spinnen 1 – Die Der Goldene See; Spinnen 2 – Die Das Brillantschiff, Alemanha, 1919-20). Direção e Rot. Original: Fritz Lang. Fotografia: Karl Freund & Emil Schünemann. Dir. de arte e Figurinos: Otto Hunte, Carl Ludwig Kirmse, Heinrich Umlauff & Hermann Warm. Com: Carl de Vogt, Ressel Orla, Georg John, Lil Dagover, Friedrich Kühne, Rudolf Lettinger, Reiner Steiner.
O Lago Dourado.Kay Hoog (Vogt) encontra uma mensagem numa garrafa que indica a existência de incas em um lago num recanto ermo da América do Sul. Ao mesmo tempo, a organização criminosa As Aranhas, tendo em sua chefia a inescrupulosa Lio Sha (Orla) segue os passos de Hoog, pois se encontra interessada no ouro da tribo. Hoog se encanta com a princesa inca (Dagover). Lio Sha, ameaçada de ser sacrificada pela tribo é liberta pelas expedições de Hoog e Sha em conjunto. Hoog consegue fugir com a princesa para a Inglaterra. Lio Sha visita Hoog e, grata por seu salvamento, afirma que está apaixonada por ele. Hoog, no entanto, a recusa e afirma que seu verdadeiro amor é a princesa. Pouco depois, quando parte numa missão criada artificialmente pelas aranhas, sua amada é assassinada. O Navio Dourado. A busca pelo valioso diamante Cabeça de Buda é a chance para que Kay Hoog va à desforra com As Aranhas. Entre muitas peripécias, Hoog deverá encontrar o tesouro que descobre se encontrar nas Ilhas Falklands e salvar a filha do milionário Terry Landon (Lettinger) das mãos das Aranhas. Quando descobre o tesouro, é capturado pelas aranhas, mas o gás venenoso das cavernas propicia a chance que escape, enquanto Lio Sha morre.
Filme que é uma verdadeira coletânea de clichês do que se tornaria o gênero aventura avant-la-scéne. Nesse sentido, mesmo soando inocente aos dias de hoje – principalmente no momento em que o herói, utilizando Lio Sha como seu escudo no bairro chinês, decide soltá-la confiando na palavra de um dos chineses – contém em germe tudo que filmes tão diversos como as séries Bulldog Drummond na década de 1930 ou Indiana Jones nos anos 1980 voltaria a explorar. Ou seja, lugares exóticos povoados por raças não menos exóticas (no caso aqui, tanto chineses, quanto indianos ou incas se encontram, sem dúvida, muito distantes do refinamento europeu e não são mais que exóticas ou não confiáveis), missões mirabolantes, situações de risco iminente, vilões inescrupulosos que não possuem qualquer senso de humanidade diante da ganância material e até mesmo o caráter de ser seriado (estavam programados na verdade mais duas outras seqüências). Mero detalhe, se aos olhos de hoje mapas, situações e caracterizações dos personagens sejam mais evocativas do pastiche em relação ao gênero e sua diluição na década de 1960 em filmes como Help! (1965) ou seu equivalente  nacional Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa, de três anos depois. Essencialmente, no entanto, até mesmo seu olhar profundamente etnocêntrico ainda resiste nas produções contemporâneas do gênero. Destaque, nesse quesito, para a forma como a princesa inca nem titubeia em abandonar seu próprio povo ao morticínio dos europeus e em se casar com o conquistador europeu, de forma ainda mais radicalmente sem remorso ou nostalgia que Iracema na literatura romântica brasileira de meio século antes. Por outro lado, não há como não frisar a influência dessa mescla de aventura e filmes seriados anterior ao filme de Lang nas séries dirigidas, entre outros,  por Louis Feuillade. O cineasta declinou de dirigir o clássico do expressionismo por excelência, O Gabinete do Dr. Caligari, produzido no mesmo ano e com a mesma Dagover para realizar este que se tornou um grande sucesso de bilheteria da época, tomando emprestado um  necessária universo anglófilo, já que representantes de um país colonialista por excelência semelhante ao empréstimo do gênero cowboy pela literatura de Karl May. A partir de A Morte Cansada (1921), Lang buscará temáticas mais pretensiosas embora retorne ao final da carreira com uma reatualização dessas farsas de aventuras ambientadas em países exóticos e produzidas novamente no seu país natal, após duas décadas de carreira nos EUA. Originalmente, sem os trechos perdidos, os dois episódios compilados teriam a duração de cerca de 3 horas.  Decla Bioscope/Decla-Film-Gessellschaft Holz & Co. 137 minutos.

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