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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Filme do Dia: Lola (1981), Rainer Werner Fassbinder

Lola (Alemanha, 1981). Direção: Rainer Werner Fassbinder. Rot. Original: Rainer Werner Fassbinder, Pea Frölich & Peter Märthesheimer. Fotografia: Xaver Schwarzenbergr. Música: Freddy Quinn & Peer Raben. Montagem: Juliane Lorenz & Rainer W.Fassbinder. Dir. de arte: Rolf Zehetbauer & Helmut Gassner. Figurinos: Barbara Baum & Egon Strasser. Com: Barbara Sukowa, Armin Müeller-Stahl, Mario Adorf, Karin Baal, Peer Raben, Matthias Fuchs, Udo Kier, Harry Baer, Helga Feddersen, Y Sa Lo, Günther Kaufmann, Rosel Zech.
Von Bohm (Müeller-Stahl) provoca um sobressalto na pequena cidade alemã onde vai trabalhar, avaliando os projetos na prefeitura. O empreiteiro Schukert (Adorf) e o prefeito (Raben) são alguns dos corruptos que temem modificações em seus planos de construção de um prédio. Porém, em pouco tempo eles percebem que apesar de seu aspecto moderno, Von Bohm não interferirá no processo. Sua atração por Lola (Sukowa), prostituta que se faz passar por boa moça, ameniza seu rigor. A situação muda de figura quando o funcionário de simpatias esquerdistas Esslin (Fuchs), humilhado diante de Lola por seu amante principal, o próprio Schukert, resolve  mostrar toda a vida subterrânea que corre no bordel onde trabalha Lola. Indignado, Von Bohn não só não aprova o projeto como tenta denunciar Schukert na imprensa. A situação volta a mudar de figura quando Schukert sugere que ele compre Lola. É o que Von Bohn faz, diante de todos, no bordel. No dia do casamento, enquanto Von Bohn vai da igreja diretamente para o trabalho, Lola diverte-se com Schukert, que a presenteia com o bordel.
O diálogo inicial entre Esslin e Lola, quando esse se refere ao fato de toda poesia ser triste, porque a alma é triste  possui uma verdade que vai além do raciocínio podendo servir como boa definição para esse filme repleto de melancolia nas suas entrelinhas. Distante do melodrama tradicional, Fassbinder cria uma atmosfera soturna, porém distanciada emocionalmente, auxiliado pelo comentário irônico da trilha sonora. Imaginado inicialmente como uma refilmagem de O Anjo Azul (1930), de Sternberg, o filme apenas ganha ao se afastar de uma refilmagem, mesmo que recrie alguns dos temas do filme que celebrizou Dietrich, como o amour fou da relação entre Von Bohn e Lola, sendo que algumas seqüências evocam diretamente tal relação – o assombro de Von Bohn, mesmo que por motivos diferenciados, é de uma dimensão semelhante ao do personagem vivido por Jannings no filme de 1930. O cineasta também preferiu transportar sua narrativa para a Alemanha que vivencia o milagre econômico da década de 1950, como forma de melhor  retratar a hipocrisia da elite dirigente em conivência com todos os setores da sociedade – o dissidente Esslin logo é cooptado, assim como o próprio Von Bohn. A televisão, tal e qual em Tudo Que o Céu Permite (1956) de Sirk, é associada ao conformismo que acaba por vencer o protagonista. Ao contrário de Sirk, no entanto,  aqui o amor, no final das contas, é um elemento menos ameaçador do status quo que corroborador do conformismo. Suas seqüências são pontuadas pela distorção do foco e suas cores evocam o colorido artificial do bordel onde transcorre boa parte da ação. É de longe o filme mais notável do cineasta no final de sua carreira, compondo juntamente com O Casamento de Maria Braun (1978) e O Desespero de Veronika Voss (1982), uma trilogia sobre figuras femininas na Alemanha do pós-guerra. Essa versão, veiculada pela televisão brasileira, é a americana, sendo a alemã dois minutos mais longa. Rialto Film/Trio Film/WDR. 113 minutos.

2 comentários:

  1. Indico.

    É de longe o filme mais notável do cineasta no final de sua carreira, compondo juntamente com O Casamento de Maria Braun (1978) e O Desespero de Veronika Voss (1982), uma trilogia sobre figuras femininas na Alemanha do pós-guerra.

    *****
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    1. He he he...estou em dívida com você, Beth. Nunca mais visitei teu blog. Correria grande por aqui. Bjs.

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