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domingo, 2 de fevereiro de 2014

Meu Caro Diário, 02/03/2005





Primeiro momento em “minha nova morada”, que chamei jocosamente de “birosquinha” para Dani Dumaresq ontem. Estou me sentindo um tanto mole esses dias. Uma sonolência sem fim que me faz cabecear quando me encontro na biblioteca da ECA e até mesmo no ônibus como ontem. De onde virá tanto cansaço? Estarei diabético? O cheiro de mofo é onipresente no ambiente. Meu cu está dolorido. Não sei por quais cargas d´água, mas senti uma pontada violenta ao cagar hoje cedo. Estou aqui praticamente com a roupa do corpo, enquanto meus pertences se encontram espalhados nos apartamentos de Josué, Orlando e Ney. As lentes novas ainda me incomodam pra chuchu. Não tenho nem coberta para cama ainda. Pretendo pegá-las hoje à noite com Josué. Acabei de descobrir há pouco um tufo de cabelos da moradora – provavelmente são de mulher – que vivia aqui antes. A (sic) Bachiana nº 04 (versão Gismonti) toca sem parar na minha cabeça (qual não foi minha surpresa quando ela igualmente tocava ontem quando andava pela Paulista e cruzei com um grupo que o cara falava que ia montar as Bachianas!). Hoje, na Biblioteca, após vacilar entre inúmeros assentos vim me sentar diante de quem? Orlando. Foi ele quem conseguiu se fazer ver por mim, após um certo esforço. (...)


Algumas horas mais tarde. A noite começa a se delinear na grande metrópole paulista. Graças aos céus o povo daqui é um pouco mais civilizado no transito e buzina bem menos que em Fortaleza. Há alguns minutos agucei meus ouvidos e não consegui registrar nenhuma buzina. Meu consolo, portanto, é que um muquifo à beira de uma avenida igualmente movimentada em Fortaleza seria bem mais torturante. O tempo esfriou e agora, de certa maneira, sinto-me ilhado sem roupa de frio, acessórios de cama e banho e com uma provável maluca cubana como vizinha que, ao invés de falar abertamente comigo, preferiu emitir uma série de ruídos de seu banheiro, aparentemente colado ao meu. Anseio, de certa forma, para ter as minhas coisas comigo. Porém da janela só vejo transeuntes agasalhados. No mínimo terei que dar um pulo no Orlando para que ele me empreste um agasalho para ir até “às Filipinas”, como diria Papai.

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