O Dicionário Biográfico de Cinema#358: Candice Bergen

 


Candice Bergen, n. Beverly Hills, 1946

Candice Bergen está no cinema, e muito social na cena hollywoodiana, há mais de quarenta anos. É inteligente, divertida, e possui o entretenimento no sangue (ou o grão - um dos companheiros de infância dela era Charlie McCarthy, pois era filha do ventríloquo Edward Bergen). Por um momento, foi companheira de Bert Schneider. Esteve em uns poucos filmes classudos, como Carnal Knowledge [Ânsia de Amar] (71, Mike Nichols) e The Group [O Grupo] (66, Sidney Lumet). Mas era tida como certa enquanto apenas um adereço feminino bonito. Ninguém percebeu que poderia atuar em comédias. Nem mesmo o casamento com Louis Malle, em 1980, prometeu salvação. 

Era lésbica em O Grupo; com Steve McQueen em The Sand Peebles [O Canhoneiro de Yang-Tsé] (66, Robert Wise); como uma modelo pretensiosa em Vivre pour Vivre [Viver por Viver] (67, Claude Lelouch); The Magus [Mago, o Falso Deus] (68, Guy Green); Getting Straight [À Procura da Verdade] (70, Richard Rush); Soldier Blue [Quando é Preciso Ser Homem] (70, Ralph Nelson); Ânsia de Amar; The Hunting Party [Caçada Sádica] (71, Don Medford); T.R. Baskin [O Mundo Foi Minha Ilusão] (71, Herbert Ross); 11 Harrowhouse [A Casa dos Brilhantes] (74, Aram Avakian); e Bite the Bullet [O Risco de uma Decisão] (75, Richard Brooks). Havia uma labareda em seu duelo de diversão com Sean Connery em The Wind and the Lion [O Vento e o Leão] (75, John Milius). Mas não havia nada a ser feito em The Domino Principle [As Pedras do Dominó] (77, Stanley Kramer); La Fine del Mondo nel Nostro Solito Letto in una Notte Piena di Pioggia [Dois na Cama numa Noite de Chuva] (78, Lina Wertmüller); ou Oliver's Story [A História de Oliver] (78, John Korty). 

Mas, subitamente, estava hilariante em Starting Over [Encontros e Desencontros] (79, Alan J. Pakula), especialmente ao começar a cantar, o que lhe rendeu uma indicação de coadjuvante. Fez então Rich and Famous [Ricas e Famosas] (81, George Cukor), mas poucos perceberam a continuidade do humor. Por então, Bergen foi um das poucas atrizes americanas, que se encaixaria em uma comédia dos anos 30.

Nos anos 80, quando se aproximava da ominosa idade dos 40, a  carreira de Bergen declinou. Foi redundante enquanto fotojornalista Margaret Bourke-White (a própria Bergen é fotógrafa) em Gandhi (82, Richard Attenborough) e esteve encalhada em Stick [Um Homem Destemido] (85, Burt Reynolds). Então, não havia mais para onde ir a não ser a televisão: Guinevere no medonho Arthur the King [Merlin e a Espada] (85, Clive Donner); muito crível em Murder: By Reason of Insanity [Crime ou Loucura] (85, Anthony Page); e levada a interpretar Sydney Biddle Barrows em Mayflower Madam [Modelos de Luxo] (87, Lou Antonio).

Então, a mágica aconteceu. E não é que Murphy Brown (88-98) fosse um grande programa. Mas foi uma vitrina para a engenhosidade e personagem de Bergen. Á medida que políticos republicanos passaram, de forma desajeitada, a criticar o liberalismo moderado do programa, Murphy Brown acabou se tornando uma espécie de símbolo. Bergen venceu Emmys em 1989 e 1990, e o programa teve seu pequeno papel na eleição de 1992. Seria muito mais proveitoso se alguém escalasse Bergen para uma comédia cinematográfica de costumes, algo maior do que Miss Congeniality [Miss Simpatia] (00, Donald Petrie); Sweet Home Alabama [Doce Lar] (02, Andy Tennant); View from the Top [Voando Alto] (00. Bruno Barreto); The In-Laws [Até que os Parentes nos Separem] (03, Andrew Fleming); Sex and the City [Sex and the City: O Filme] (08, Michael Patrick King); The Women (08, Diane English); Bride Wars [Noivas em Guerra] (09, Garry Winicki); The Romantics [O Casamento do Meu Ex] (10, Galt Niederhoffer); um papel em House M.D. (11); ou A Friggin' Christmas Miracle (13, Tristram Shapeero).

Texto: Thomson, David. The New Biographical Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp. 228-30. 

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