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terça-feira, 7 de novembro de 2017

Filme do Dia: Ânsia de Amar (1971), Mike Nichols

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Ansia de Amar (Carnal Knowldege, EUA, 1971). Direção: Mike Nichols. Rot. Original: Jules Feiffer. Fotografia: Giuseppe Rotunno. Montagem: Sam O’Steen. Dir. de arte: Richard Sylbert & Robert Luthardt. Cenografia: George R. Nelson. Figurinos: Anthea Sylbert. Com: Jack Nicholson, Art Garfunkel, Candice Bergen, Ann-Margret, Rita Moreno, Cynthia O’Neal, Carol Kane.
Final dos anos 40. Jonathan (Nicholson) e Sandy (Garfunkel) são os melhores amigos de faculdade e discutem detalhes de suas intimidades com as mulheres. Sandy, mais sensível, apaixona-se por Susan (Bergen), que Jonathan sai várias vezes até conseguir manter um contato sexual. Tempos depois, Sandy se encontra casado com Susan e Jonathan vive uma relação conturbada com a emocionalmente instável  Bobbie (Margret). Sandy revela o tédio que acompanha seu casamento e Jonathan o incentiva a ter casos ocasionais com garotas como Cindy (O’Neal). Posteriormente, Sandy se encontra envolvido com uma garota que tem idade de ser sua filha, Jennifer (Kane), enquanto Jonathan procura prazer com uma prostituta, Louise (Moreno).

O cinema norte-americano dessa época parece ter descoberto que podia retornar à temas afetivo-sexuais de uma juventude crescentemente liberada do pós-guerra sem os impedimentos morais que travavam a produção de então (além desse também Houve uma Vez um Verão e A Última Sessão de Cinema, dentre outros, fazem parte do ciclo). Nichols, em seu quarto filme, afasta-se dos excessos que fizeram  seu anterior, Ardil 22, fracassar junto ao público, voltando-se pela primeira vez para um tema parcialmente escorado no passado, passado esse observado sem o filtro da nostalgia agridoce do filme de Bogdanovich ou simplesmente da nostalgia pura e simples de um Loucuras de Verão. De fato, o que se observa ao longo do filme é, mesmo abraçando padrões narrativos bem mais convencionais que o de seu filme anterior, um enxugamento da potencial identificação fácil que encapsulava A Primeira Noite de um Homem por inteiro, a ausência ao recurso da trilha sonora original, o uso afiado da elipse (que faz com que personagens como Susan simplesmente sumam) e de opções dramáticas pouco convencionais como a de Jonathan apenas se referir que havia ficado com Susan numa exibição de slides que apresentava várias das mulheres que haviam passado por sua vida, assim como um desfecho em aberto que não sinaliza para qualquer transformação ou “superação” de qualquer um dos dois personagens mais afinado com o cinema de arte europeu (Feiffer, seu roteirista, colaboraria posteriormente com alguns nomes seminais desse como Alain Resnais). Se por um lado tende-se a um retrato algo misógino e pouco entusiasmado das mulheres por outro apresenta uma perspectiva masculina,  paralela a apresentada por um realizador mais sofisticado e iconoclasta como Cassavetes, sem as crescentes arestas de um politicamente correto não destituído de fortes doses de hipocrisia. O resultado final, algo aborrecido e longe de impressionante, compartilha uns poucos pontos de contato (ou auto-referência?) com sua obra mais célebre, A Primeira Noite de um Homem, na utilização de canções de sucesso da época, como Moonlight Serenade e I’m Getting Sentimental Over You já igualmente dos créditos iniciais que destacam novamente o produtor em comum de ambos, Joseph E. Levine.  AVCO Embassy Pictures.  98 minutos.

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