Filme do Dia: A História de James Dean (1957), Robert Altman & George W. George
A História de James Dean (The James Dean Story, EUA, 1957).
Direção e Montagem: Robert Altman & George W. George. Rot. Original: Stewart Stern. Música: Leith
Stevens. Dir. de arte: Louis Clyde Stoumen.
Esse documentário, hoje merecidamente
pouco lembrado, talvez desperte um pouco mais do que a curiosidade por se
tratar de um dos primeiros projetos do que se revelaria um dos mais talentosos
realizadores norte-americanos mais de uma década após. Isso se dá talvez pelo
uso bastante recorrente e então pouco comum – o que chega a ser destacado em
seus créditos iniciais – da foto fixa, motivado como explica pela ausência de
seu protagonista, já falecido e possibilitado pelas novas tecnologias que lidam
com a mesma. De fato, o filme se ampara grandemente na utilização de fotos e,
inclusive, nos momentos iniciais das entrevistas, faz com que os entrevistados
surjam também inicialmente sem movimento, criando uma relação que não apenas
destaca mais uma vez a importância do recurso quanto igualmente evocando, mesmo
que involurantiamente, o quanto o próprio cinema deve a fotografia e o quanto
ambos podem ser importantes instrumentos de auxílio à memória. Isso dito,
cumpre lembrar que tudo isso se refere em termos potenciais, já que o resultado
final do filme chega a ser constrangedoramente anêmico. Em grande parte tal se
deve a relação talvez pouco bem resolvida entre seus “não atores”, como o casal
de tios que criaram o ator após a morte de sua mãe, e toda sua estrutura
documental e a tentativa de criar uma moldura dramática, inclusive fortemente
psicologista, para “compreender” os motivos que levaram a suscitar um
protagonista tão atormentado e rebelde. Algumas das soluções chegam ao cúmulo
do mau gosto, como a que contrapõe ruídos e uma tentativa de representação do
momento da morte do ator e zooms que aproximam a câmera de membros de sua família, numa faceta
sensacionalista que praticamente paira pelo filme do início ao fim. Sua
pretensão acaba enfrentando os limites da utilização mais do que banal de
recursos como os depoimentos diretamente para a câmera de seus entrevistados,
sendo que o próprio narrador over é
quem as efetiva, ao menos na versão finalizada, num recurso já utilizado pelos
mais banais programas de TV, como os produzidos então pela Disney. Realizado pouco tempo após sua trágica morte,
o filme apresenta imagens de Dean em sua “volta ao passado”, visitando os tios
e o avô, o túmulo da mãe, a escola onde estudara. Na época de seu lançamento
provocou celeuma por conta de sua descrição
de aspectos considerados demasiado mórbidos. Warner Bros. Pictures. 81 minutos.

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