Filme do Dia: Amleto (1910), Mario Caserini

 


Amleto (Itália, 1910). Direção Mario Caserini. Com: Dante Cappelli, Maria Caserini. 

Várias passagens da obra shakespeariana são encenadas em um modo – ao menos na cópia ao qual se teve acesso e a existente ao que tudo indica – bastante dinâmico de montagem, contrapondo-se às práticas comuns então. Os ambientes carregadamente cenográficos se misturam com imagens filmadas em locações. O enquadramento tendo como medida a do proscênio teatral vale quase sempre para as imagens em locação, como a da cachoeira. A aparição do fantasma se dá através das sobreposições comuns então. A câmera apenas se desloca para reenquadrar os atores em cena.  Na cópia hoje existente tampouco existe aparição de cartelas até quase a metade da projeção. Parêntese para sua imagem mais visualmente interessante:  a utilização de um cenário contíguo, separado por uma alusão de parede, que é bastante próximo do recurso da tela dividida, na qual de um lado se observa a discussão intensa entre Hamlet e Ofélia, e do outro, os que buscam escutar a discussão no aposento ao lado. Hamlet assassina, por engano, um dos homens a escutar a discussão, que vem a ser Polônio. Ofélia enlouquece diante do cadáver de Polônio. Ofélia vaga, cabelos grandes e soltos em desalinho, próximo a um lago, distribuindo flores de sua cesta.  Hamlet efetua seu famoso monólogo, não apoiado por nenhuma cartela, diante de uma caveira colhida a esmo na cova, onde, logo a seguir, Ofélia vem a ser enterrada.  Hamlet se desespera e adentra a cova ao descobrir sobre sua morte. Por bem, ao se tratar provavelmente de produção de um único rolo, não se pretende evocar toda a extensa narrativa, findando com a morte de Ofélia.  Caserini já havia realizado várias adaptações do bardo e o fato de quase todas terem sobrevivido demonstra uma seletividade na preservação a não alcançar a produção trivial e numerosa do realizador, assim como de vários outros, de outros países igualmente.| Società Italiana Cines. 8 minutos e 16 segundos.

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