Filme do Dia: La Langosta Azul (1954), Álvaro Capeda Samudio, Gabriel García Márquez, Enrique Grau Araújo & Luis Vicens




 La Langosta Azul (Colômbia, 1954). Direção,  Rot. Original e Montagem Álvaro Capeda Samudio, Gabriel García Márquez, Enrique Grau Araújo & Luis Vicens. Fotografia Nereo López. Dir. de arte Álvaro Cepeda Samudio. Com Nereo López, Ramón Jessurum, Cecilia Porras, Enrique Grau Araújo, Álvaro Cepeda Samudio, Niño El Mago

Homem chega numa comunidade pesqueira pobre. Vislumbra um hotel e para lá se desloca. Observado por um outro homem no galho de uma árvore com um binóculo até fechar a janela do quarto do hotel. A única coisa a descarregar de sua bagagem são  lagostas envolvidas em plástico. E um livro ao qual interessa particularmente as especificações sobre a lagosta azul. A espécime não teria cor ou odor, e necessitaria de licença especial por ser portadora de carga radioativa. O homem desenrola uma das lagostas e começa a disseca-la. Vai ao banheiro, mas a porta entreaberta permite a entrada e captura de uma das lagostas por um gato preto. Quando sai do banheiro, o homem fica desesperado com o sumiço da lagosta e saí pelo vilarejo a procurando. Quando chega em um local, uma mulher o leva para um sítio onde danças sensuais são performadas por ela e um homem tendo como motivação a lagosta.

Bem antes de ter sido reconhecido internacionalmente como uma das maiores referências literárias latino-americanas, García Márquez foi um dos colaboradores deste marco no cinema experimental colombiano, que inicia de forma simpática com várias pessoas segurando claquetes com números de pretensos planos a serem filmados. E com uma lousa onde são escritos os créditos da produção. Como quase todo filme experimental que se preze, não é sonorizado. Se os recursos de produção podem ser evocados neste quesito, também se poderia pensar em vários casos uma dimensão estética voluntária, não parecendo ser o caso em questão. Destaque para a cena na qual o pobre gato preto é jogado para aparecer na filmagem, quando da chegada do novo hóspede; e você imagina a participação do felino não será fortuita, como se comprova. Não parece ser um filme fácil de ser “lido” sem uma “bula”, porque nem de longe parece radicalmente assertivo em seu caráter não narrativo, e havendo uma dimensão narrativa até minimamente convencional, esta vem a ser solapada pela habitual autocomplacência vanguardista da obscuridade ou da compreensão equivocada de seu sentido se encontrar presente de forma enfática nas imagens.|Los Nueve-Seis-Tres. 29 minutos e 16 segundos.

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