Filme do Dia: Primeiro Verão (2000), Sebastien Lifshitz

 


Primeiro Verão (Presque Rien, França, 2000). Direção: Sebastien Lifshitz. Rot. Original: Sebastien Lifshitz & Stéphane Bouquet. Fotografia: Pascal Poucet. Música: Perry Blake. Montagem: Yann Dedet. Dir. de arte: Roseanna Sacco. Cenografia: Sophie Segreto. Figurinos: Elizabeth Mehu. Com: Jérémie Elkaïm, Stéphane Rideau, Dominique Raymond, Marie Matheron, Laetitia Legrix, Nils Ohlund, Réjane Kerdaffrec, Guy Houssier.

Matthieu (Elkaïm) passa as férias de verão na casa de praia de sua mãe (Raymond) e acaba se apaixonando pelo igualmente jovem Cedric (Rideau), de origem mais humilde. A família de Matthieu aos poucos fica sabendo de seu interesse pelo rapaz, assim como o pai  (Houssier) desse, quando Cedric se acidenta. A mãe de Matthieu passa por uma situação de depressão há já 3 anos, desde a perda de um filho. Matthieu, por sua vez, também enfrenta posteriormente uma situação de depressão sendo internado em um hospital e recusando qualquer aproximação de Cedric, com quem havia ido morar em Nantes, e findando posteriormente a relação. Quando retorna a praia onde conhecera Cedric se aproxima curiosamente do homem que se envolvera com Cedric antes dele, e chegara a brigar em público com o mesmo, Pierre (Ohlund).

Dentro da prolífica produção do cinema queer francês, que começa a se tornar palpável por volta do período que esse filme veio a tona, este se torna demasiado banal, sobretudo quando se leva em conta, primeiro que Lifshitz efetivaria um filme bem mais interessante posteriormente (Lado Selvagem) e, depois, por de alguma forma se vincular ao bem anterior, e demasiado importante para esse ciclo posterior, Rosas Selvagens. De fato, nesse filme de Techiné, tanto Rideau efetua uma participação inesquecível, quanto o próprio filme, de forte matriz biográfica, é em tudo mais interessante que a proposta aqui selada. Enquanto o filme de Techiné apresentava uma comovente história que fugia dos cacoetes de auto-afirmação gay, que se tornariam uma bandeira emblemática para boa parte dessa produção (incluindo filmes como Devido a um Rapaz, também mais interessante) aqui, mesmo que tampouco se abraçando algo do tipo, não aparece uma orientação formal ou narrativa que consiga driblar a insipidez do que é apresentado e do modo como é apresentado – com direito a canções açucaradas, ainda que em menor dose, habitual em produções do tipo. De fato, é quando aposta numa ascese formal de colorações dignas da tradição posta por Bresson, em Lado Selvagem, que se perceberá o quanto muitos dos temas semelhantemente abordados aqui, ganham uma expressividade aqui negada. Tampouco a apresentação de seus eventos em forma não cronológica e ocasionalmente elíptica, como é o caso da separação do casal, à guisa de alguma distinção, o salvam de se aproximar de um certo oportunismo junto a seu público-alvo, presente no seu cartaz ou na cena em que o casal toma banho nu na praia. Noutras cena de igual apelo erótico, pode-se também apostar numa postura política de afirmação, como é o caso da nudez frontal do casal na cama, como a fazer uma provocação a cenas habituais semelhantes de casais héteros pelo cinema. É muito pouco para torna-lo, ainda que retrospectivamente, interessante. Lancelot Films/Man’s Films/RTBF/arte France Cinéma para Ad Vitam Distribuition. 100 minutos.

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