O Dicionário Biográfico de Cinema#315: Hector Babenco
Hector Babenco, n. Buenos Aires, 1946*
1975: O Rei da Noite. 1978: Lúcio Flávio. 1981: Pixote. 1985: O Beijo da Mulher-Aranha. 1987: Ironweed. 1991: At Play in the Fields of Lord [Brincando nos Campos do Senhor]. 1998: Corazón Iluminado [Coração Iluminado]. 2003: Carandiru. 2007: El Pasado [O Passado]. 2013: Words with Gods (co-dirigido).
Babenco é um idealista, possuindo um vívido olho documental. Como tal, foi uma importante figura no Brasil dos anos 70 - Lúcio Flávio foi a história de um homem real, um criminoso, que prometeu contar histórias sobre o esquadrão da morte, comandado pela polícia. O filme foi altamente controvertido, e Babenco sofreu ameaças de morte. Pixote foi um macabro estudo de crianças de rua no Brasil, muitas dos quais a partir de improvisações de uma pesquisa que Babenco havia feito com autênticas crianças de rua. Pixote é como De Sica misturado com Céline, e é ainda mais difícil de assistir porque parece haver tão pouco espaço para o otimismo.
Esta conquista levou Babenco além de sua faixa natural - eu sugiro. O Beijo da Mulher-Aranha obteve grande aclamação. Foi exibido no circuito de arte internacional, e a interpretação de flor desbotada de William Hurt venceu um Oscar. Mas Mulher-Aranha não é verdadeiramente fiel a Manuel Puig, e introduziu uma cepa fatal de melodrama. Pois, na verdade, Babenco não é um contador de histórias sofisticado. De forma semelhante, dado o Ironweed de Wlliam Kennedy, ele foi exatamente para o equivocado elenco estrelado, borrando a implacável firmeza no livro de Kennedy. A realidade se foi, comprometida por tanto esforço exagerado e sério. Brincando nos Campos do Senhor foi ainda mais equivocado, excessivamente longo e apático em sua história humana.
Para onde um diretor argentino vai? Os pais de Babencos eram judeus russos e polacos. Ele viajou por boa parte dos anos 60, e foi ao Brasil originalmente como visitante. Claramente, nunca esteve "em casa" realizando filmes americanos, e é pouco provável que receba mais convites de lá. Ele pode voltar ao Brasil? Pode ele ser brasileiro? Ou ele corre o risco de ser um poeta errante e universal dos excluídos?
Texto: Thomson, David. The New Biographical Dictionary of Film. N. York: Alfred A. Knopf, 2014, pp. 137-38.
N. do E: falecido em 2016.

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