Filme do Dia: Do Jeito Que Elas Querem (2018), Bill Holderman
Do Jeito Que Elas
Querem (Book Club, EUA, 2018). Direção Bill Holderman. Rot. Original
Bill Holderman & Erin Simms. Fotografia Andrew Dunn. Música Peter Nashel.
Montagem Priscilla Nedd-Friendly. Dir. de arte Rachel O’Toole & Charlie
Campbell. Cenografia Dena Roth. Figurinos Shay Cunliffe. Com Diane Keaton, Jane
Fonda, Candice Bergen, Mary Steenburgen, Andy Garcia, Craig T. Nelson, Don
Johnson, Ed Begley Jr., Richard Dreyfuss, Wallace Shawn, Alicia Silverstone.
Grupo de
amigas de toda a vida, Diane (Keaton), Vivian (Fonda), Carol (Steenburgen) e
Sharon (Bergen), possuem um clube de leitura, e após a escolha de lerem 50
Tons de Cinza, decidem sair da pasmaceira que sua vida sexual e afetiva tem
sido há anos. Diane é paquerada por um companheiro de avião, Mitchell (Garcia),
embora fique hesitante pois o marido morreu faz apenas um ano e faz décadas que
não possui encontros do tipo. Vivian volta a encontrar uma antiga paixão de sua
vida, Arthur (Johnson), mas teme sua proximidade. Carol (Steenburgen) é frustada
pelo marido não mais buscar sexo com ela enquanto Sharon (Bergen), após alguns
encontros online, pensa que este é o tipo de situação que não lhe serve.
Infelizmente
os Estados Unidos exportaram este modelo de comédia ao mundo, onde a partir de
situações triviais hipoteticamente emergiriam situações cômicas. Há
provavelmente uma única tirada relativamente divertida, no qual a Diane de
Keaton (e não poderia ser outra) lembra o documentário de Herzog, A Caverna dos Sonhos Esquecidos, para se referir a ausência de sexo por quase duas décadas da amiga.
Mesmo assim, o que poderia soar como espontâneo ou natural em um filme de
Allen, aqui tem aparência de plastificado. Ou tão mal ajambrado quanto a
fabricação de uma foto coletiva das quatro atrizes quando jovens. Valendo para
tudo mais do filme, das caras e bocas das veteranas ao plano aéreo sobre o píer
de Santa Mônica. A pobreza de construção de analogias, como a do marido não
mais sexualmente interessado que, no momento de discussão sobre o tema, não
consegue dar partida em sua moto, é constrangedora e a pretensa indução cômica
– ela está falando tão alto ao ponto dos vizinhos que passam em frente, ouvirem
– é menos correspondida, guardadas as proporções, que as previsíveis quedas dos
filmes de perseguição do Primeiro Cinema. Até mesmo quando a indústria pretende
dar espaço a atrizes veteranas do portes das aqui elencadas, é sofrível a
oferta. E pode-se perceber a composição do roteiro seguindo didaticamente a dos
manuais, com todas as personagens reclamando de nada terem mudado em sua vida,
mesmo após a leitura coletiva de 50 Tons de Cinza – Carol não avança com
o marido, Diane tem sua festinha particular interrompida e cancelada pelas
filhas, Vivian dorme ao reencontrar um amor do passado e Sharon tem um encontro
frustrado com um homem que travou conhecimento por um aplicativo. E como
qualquer drama romântico de uma sessão da tarde, resta alguma sombra de dúvida
sobre a resolução dos quatro impedimentos afetivos se darem em um mesmo
momento. É o tipo do filme a lidar com frustrações de um leque amplo de
espectadoras (sobretudo), pois ao mesmo tempo que não necessita fazer pensar
sobre tensões econômicas, já que todas podem se dedicar bastante a um outro
plano para além do material, mesmo sendo uma juíza federal e, ao mesmo tempo,
como num passe de mágica, podem ler um best seller e se sentirem empoderadas
para transformarem suas vidas no campo afetivo-sexual, sinalizando o mesmo para
a espectadora de ocasião, mesmo aquelas em idade já bastante profícua. Solução
tão rasteiramente genérica somente poderia render bilheteria o suficiente para uma continuidade quatro anos após. E com
personagens masculinos ainda mais rasos que os femininos, ao final se pode esquecer, inclusive, da
pretensa narradora interna Diane. |Apartment Story/June Pictures para Paramount
Pictures. 104 minutos.

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