Filme do Dia: Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), Bob Persichetti, Peter Ramsey & Rodney Rothman

 


Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider Man: Into the Spider-Verse, EUA, 2018). Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey & Rodney Rothman. Rot. Original: Phil Lord & Rodney Rothman, a partir do argumento de Lord. Música: Daniel Pemberton. Montagem: Robert Fishe Jr. Dir. de arte: Justin K. Thompson, Dean Gordon & Patrick O’Keefe.

O adolescente Miles Morales, aborrecido com seu ingresso em uma nova escola bastante exigente, torna-se subitamente um novo Homem-Aranha, após ser picado por uma aranha em um local secreto ao qual foi levado por seu tio.

Se o efabulado em suas duas primeiras dezenas de minutos traça um vívido perfil do personagem e suas atribulações na escola que recém-ingressou no Brooklyn, a partir de então torna-se refém do cansativo universo fantástico dos super-heróis, estripulias, explosões, monstros, realidades paralelas e tudo o mais que se possa incluir no pacote. Em ambos mundos, no entanto, fica-se com a impressão que, no limite, tudo o que é apresentado poderia sê-lo sem mais no universo de ação ao vivo. E que, apesar da qualidade inquestionável dos desenhos, que mesclam a tecnologia de ponta da computação gráfica com toques artesanais efetuados a mão, das referências constantes ao universo dos quadrinhos (das revistas à tela dividida passando pelo tributo ao seu criador, Stan Lee, aliás um dos produtores-executivos do filme) e a elaboração de uma Nova York ao mesmo tempo mítica e cotidiana, o filme, em última instância, é tragado por suas próprias platitudes e inverossimilitudes habituais, como a de um Miles que de aprendiz de aranha se torna, como num passe de mágica, em mestre do próprio mestre, em mais um pueril conto de entrada no universo adulto. Infelizmente tudo isso faz sucumbir o carisma de um protagonista convenientemente negro de olhos muito expressivos. E a fantasia narcísica da família se torna onipresente, com o pais assistindo, tal como de uma tela de cinema, ao combate final entre o filho e o vilão. Para não falar da do próprio herói salvador do mundo, ou ao menos da cidade. Trata-se, ao final de contas, pelo que sugere o final, de uma fantasia de empoderamento de figuras que habitualmente não seriam as “escolhidas” para se tornarem um super-herói, em um aceno inteligentemente populista para a maior parte de seus espectadores padrões. Destaque para a brincadeira com o logo da distribuidora ao início. Sony Pictures Ent./Marvel Ent./Avid Arad Prod./Lord Miller/Pascal Pictures/Sony Pictures Animation para Columbia Pictures. 117 minutos.

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