Filme do Dia: As Viagens de Gulliver (1939), Dave Fleischer
As Viagens de Gulliver (Gulliver’s
Travels, EUA, 1939). Direção: Dave Fleischer. Rot.
Adaptado: Dan Gordon, Cal Howard, Tedd Pierce, Izzy Sparber & Edmond
Seward, a partir do romance de Jonathan Swift. Fotografia: Charles Schettler. Música: Victor Young.
Um homem procura refúgio de seu navio
que afundou em uma ilha. É noite. Um jovem caminha distraidamente pela costa
descobre esse enorme gigante deitado sobre a areia e corre desesperado para
tentar avisar a todos do reino de Lilliput, porém não o consegue rapidamente,
pois todos os corações e mentes se encontram voltados para o casamento da filha
do rei de Liliput com o filho do reino rival, Blefiscu que, indignado pela
decisão da canção de seu reino não ser a escolhida, decide entrar em guerra
contra Lilliput. Quando finalmente o jovem é ouvido, todos os esforços dos
lilliputianos se voltam para encontrar o gigante e posteriormente aprisioná-lo
e carregá-lo até as imediações do palácio real. Quando o gigante Gulliver
acorda, ele não apresenta qualquer espécie de animosidade, conquistando o
coração dos lilliputianos que, em mutirão cuidam de sua higiene e vestiário.
Espiões do reino inimigo esperam o momento do ataque que, quando ocorre, acaba
sofrendo a intervenção de Gulliver que, de quebra, sela novamente não somente o
pacto de união entre príncipe e princesa como dos dois reinos inimigos,
despedindo-se para a tristeza de todos.
Talvez o que mais chame a atenção
desse longa animado, segundo longa-metragem norte-americano de animação,
lançado dois anos após o clássico Branca
de Neve e os Sete Anões, seja a utilização do rotóscopio, técnica pioneira
desenvolvida por Fleischer a partir de 1914, para a composição do gigante e
seus movimentos, o que acaba provocando uma grande distinção entre os traços e
movimentação desse e o dos lilliputianos, no limite quase como se mesclasse
ação ao vivo e animação. Para além disso e das canções, provavelmente mais
apuradas dos que as dos estúdios Disney e talvez menos vinculadas ao universo
estritamente infantil, resta a interessante opção da percepção da narrativa
menos pela ótica de Gulliver, personagem relativamente opaco em suas ações e de
pouca ou nenhuma interação dramática efetiva com os minúsculos seres que o
cercam, que dos lilliputianos. Longe do “padrão de qualidade” da Disney (dizem
que Walt após assisti-lo teria alfinetado que até os desenhistas de segundo
escalão do seu estúdio fariam algo mais aprimorado), o filme infelizmente se
enquadra dentro da lógica que segue a trilha do próprio sucesso de Disney, que
já havia provocado uma pausterização no universo dos curta-metragens. Se
Fleischer e seu grupo de animadores já havia seguido o exemplo nos curtas,
afastando-se da anárquica criatividade que havia marcado boa parte de sua
produção na década precedente, como pensar diferente para um projeto bem mais
arriscado, sobretudo no momento em questão, de um longa? Dois anos depois a equipe de Fleischer
lançaria um novo longa. Fleischer Studios para Paramount Pictures. 76 minutos.
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