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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Filme do Dia: Ventos da Liberdade (2006), Ken Loach

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Ventos da Liberdade (The Wind that Shakes the Barley, Reino Unido, 2006). Direção: Ken Loach. Rot. Original: Paul Laverty. Fotografia: Barry Ackroyd. Música: George Fenton. Montagem: Jonatham Morris. Dir. de arte: Michael Higgins & Marl Lowry. Figurinos: Eimer N. Mhaoldomhnaig. Com: Cilian Murphy, Padraic Delaney, Liam Cunningham, Orla Fitzgerald, Mary O´Riorda, Mary Murphy, Laurence Barry, Damien Kearney.
Irlanda, anos 1920. Damien (Murphy) ao contrário do irmão Teddy (Delaney), decide seguir sua carreira médica e não se envolver na resistência irlandesa contra os ingleses, mesmo depois de testemunhar o assassinato covarde do adolescente Micheail (Barry). Percebendo que a violência contra os irlandeses se encontra disseminada em todo canto, decide ingressar no grupo de resistência. Quando a Inglaterra acena para um pacto de paz com a Irlanda, o grupo do qual Teddy faz parte aceita o mesmo. Radicais como Damien o negam, pois reivindicam uma autonomia irrestrita do país. Uma guerra civil se instaura então, com Damien e Teddy lutando em lados opostos, o que resultará no no fuzilamento do primeiro.

Loach volta sua dramaturgia e estilo bastante convencionais, através de seu costumeiro realismo relativamente contido, para focar as raízes do movimento de liberatação irlandesa e do IRA. Interessa menos a Loach o próprio IRA, do que a mais convencional dupla linha dramática na qual irmãos e a política confluem ou se distanciam. Não faltam, no entanto, toques melodramáticos, alguns mesmo dispensáveis, dada a sua evidente manipulação emocional, tal como o assassinato de Damien comandado pelas mãos do próprio irmão.  O motivo melodramático em si da luta de irmão contra irmão,  possui longa tradição no cinema (evidentemente, não apenas nele) e vem sendo explorado desde pelo menos Griffith (O Nascimento de uma Nação tem seu interesse dramático pensado a partir da contraposição de duas famílias do sul e do norte americanos). Não há como não sentir uma sensação de deja vu, no entanto, seja na fotografia e na direção de arte que retrata a época. Loach deixa bastante evidente de qual perspectiva ele observa seus dramas, restringindo conscientemente qualquer retrato mais complexo ou humano de seus adversários mais poderosos, invertendo a relação habitual apresentada pelo cinema clássico colonialista. O resultado final, soa parcialmetne incongruente na sua tentativa de conjugar seu drama particular e o cenário político mais amplo, algo que o pioneiro filme de Griffith tampouco esteve isento.  Palma de Ouro em Cannes. 127 minutos.